26º Aniversário da Freguesia

26º Aniversário da Freguesia

Intervenção do Presidente da Junta de Freguesia, Vítor Antunes, na sessão de aniversário:
“Enquanto povoado a Quinta do Conde regista quatro décadas de existência. Em 1970 Portugal observava, no domínio da habitação um défice estimado em quinhentas mil casas; Os grandes centros empregadores da época (Siderurgia Nacional, Lisnave, CUF, Setenave e outros), atraíam cada vez mais trabalhadores do interior para as cinturas industriais das maiores cidades; A inauguração da Ponte 25 de Abril, em 1966, acelerou a procura e aumentou a ocupação da Península de Setúbal. Foi por essa ocasião que António Xavier de Lima apostou na sedução a um sector emergente, o dos trabalhadores provindos dos meios rurais e que acalentavam o sonho de possuir uma casa com quintal. Fê-lo de modo irresponsável: aproveitou a permissividade das autoridades e garantiu resposta, com pagamentos facilitados.
A perplexidade com que se observavam então os inúmeros problemas foi atenuada com o empenhamento da Câmara Municipal de Sesimbra, assumido no final de 1976. A concepção, aceitação e publicação de um Plano de Urbanização constituiu uma importante etapa no processo. A criação da Freguesia da Quinta do Conde, a construção das infra-estruturas urbanísticas e de alguns importantes equipamentos, propiciaram o estatuto de Vila aprovado em 1995 pela Assembleia da República e atraíram pessoas a ritmos mais acelerados. Hoje habita na Quinta do Conde mais de metade da população do concelho de Sesimbra.
Emergem agora problemas de índole social decorrentes dos níveis de desemprego, que se somam a outros já antigos. No que concerne à segurança, é óbvia a necessidade de um quartel para a GNR, concebido e construído de raiz, adequado às necessidades locais, equipado com o quadro de profissionais estabelecido em 2009 pela tutela em 44 militares, quase o dobro daqueles que actualmente estão adstritos ao posto da Quinta do Conde.
No domínio da saúde a construção do Centro de Saúde local tem constituído uma odisseia e o reforço do quadro de recursos humanos, designadamente médicos e enfermeiros, uma miragem. O Hospital Garcia de Orta, concebido para 150 mil habitantes, há muito que se mostra insuficiente para os 450 mil que a sua área de influência agora regista. A resposta está na construção do Hospital Seixal Sesimbra e por ela nos iremos bater, também.
O poder central demorou tempo demais a perceber a necessidade da construção duma escola secundária. Sublinhe-se que actualmente, mais de 600 alunos do “secundário” são obrigados a deslocações para longe das suas residências, com os inerentes custos económicos para as famílias e Câmara Municipal e tempo que pode ir até três horas diárias. Objectivamente, a Escola Secundária do Peru é uma necessidade emergente.
As contingências económicas prejudicam as nossas intenções mas, como sempre temos dito, há projectos que não dependem de dinheiro para ser concretizados. Tal como o dinâmico movimento associativo local e a laboriosa comunidade educativa da Quinta do Conde, que daqui saudamos pela obra consequente e constante que em cada local realizam, em condições cada vez mais adversas, também nós, que repudiamos a inércia, não nos refugiamos nas dificuldades económicas vigentes. Estudamos os problemas, apelamos à criatividade e procuramos soluções.
Nesse sentido aqui está mais um exemplo. Comemoramos o 26.º aniversário da criação da Freguesia com a inauguração de uma escultura que a todos enobrece. Uma escultura concebida e executada por um artista residente na Quinta do Conde – Hugo Maciel – que felicitamos. Cremos que este acto constituirá o ponto de partida para uma parceria que desejamos estabelecer com a Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa.”