Freguesia exaltou 27.º Aniversário

Freguesia exaltou 27.º Aniversário

Uma plateia constituída por representantes das forças vivas da localidade, encheu o salão da Junta de Freguesia da Quinta do Conde para assistir à sessão comemorativa do 27º aniversário da criação da autarquia e à apresentação da obra, “ Quinta do Conde- Origens e Percurso”, da autoria de Vítor Antunes.

Concitando, igualmente, o interesse de antigos e actuais autarcas da localidade, a par de vários elementos do executivo camarário e da Assembleia Municipal, a cerimónia evocativa da decisão tomada pela Assembleia da República, em 1985, constituiu ainda o pretexto para a apresentação de um livro de carácter histórico e documental sobre a evolução da Freguesia ao longo dos tempos.

Prefaciado e apresentado por Alexandre Magno Flores, o referido volume, segundo o historiador, «permite-nos compreender a evolução da Quinta do Conde ao longo dos séculos», uma vez que ao lermos «esta publicação, sentimos o sentimento do autor em resgatar o passado e arrastá-lo para o presente e futuro».

Na opinião do diretor do Arquivo Histórico de Almada, «Vítor Antunes acaba por se assumir como o cronista desta terra, fazendo-nos lembrar trabalhos de grandes mestres da nossa história, como Alexandre Herculano», pois, ao lermos estas páginas, verificamos que «as vidas, as vivências e as atribulações de gentes vinculadas a esta freguesia do concelho de Sesimbra, são testemunhos de história e histórias que ainda resistem ao fluir do tempo».

Segundo o conhecido historiador, «este livro ajuda a refletir e a acompanhar os anseios da comunidade, avaliar as reivindicações das associações e dos moradores e o trabalho autárquico, num tempo em que faltava muita coisa.» Por isso, sustenta, «é uma homenagem a todos quantos ajudaram a construir a Vila progressista e humanista que a Quinta do Conde se orgulha de ser.»

Felicitando o autor da aludida obra, Alexandre Flores, defende ainda que, «este livro é, também, uma experiência vivida, um exemplo de vida no quadro do património identitário desta terra e suas gentes» logo, um «inestimável contributo na preservação da memória de uma terra e pelo sublime legado para as novas gerações deste concelho.»

Para Odete Graça, Presidente da Assembleia Municipal de Sesimbra, «este tipo de iniciativas concorre para a afirmação de uma localidade que tem identidade própria e que, por essa razão, tem um bocadinho de nós, também.»

Nesse contexto, sublinhou a líder da Assembleia Municipal, «a edição da citada obra permite-nos verificar que quanto mais perto estamos da história maior é o gosto que sentimos em conhecer aquilo que desconhecíamos estar tão perto de nós». Nesse contexto, concluiu, «a sua leitura adquire um valor epidérmico que nos ajuda a construir o futuro que desejamos.»

Agradecendo as palavras dos oradores antecedentes, Vítor Antunes, presidente da junta aniversariante e autor da mencionada obra, considerou que «a conjuntura particularmente difícil que o Poder Local Democrático enfrenta, resulta de opções e políticas que colocaram e colocam a soberania nacional em causa», incidindo nas freguesias com «o propósito de eliminar muitas delas; condicionar, ou impedir, a sua profícua atividade, através da asfixia financeira, conjugada com regras e legislação cada vez mais castrantes».

Exemplificando a afirmação com o facto da sua autarquia receber 101 mil euros do Orçamento do Estado para funcionar o ano inteiro, isto é, pouco mais de um cêntimo por dia e por eleitor, o que constitui recorde absoluto em Portugal», o autarca sublinhou que, apesar disso, «as Grandes Opções do Plano para 2012, consignam a intenção de “assinalar o aniversário da constituição da Freguesia” e o propósito de “estimular a construção da memória da Quinta do Conde através do apoio à recolha e compilação de elementos históricos associados à região”.»

Solicitando respeito pelas opções que tomou em cada assunto abordado na citada obra e condescendência por eventuais lapsos, o autarca /autor, refere ainda que a edição de “Quinta do Conde – Origens e Percurso”, «se assume como um trabalho que acrescenta mas não conclui. Um trabalho que abre caminhos para abordagens mais complexas. Um trabalho que regista factos para que deles não se perca o rasto» , concretizando, assim, a intenção de «dotarmos a Freguesia com estas ferramentas e, desse modo, estarmos a contribuir para a formação da identidade local».

Encerrando a sessão, Augusto Pólvora, Presidente da Câmara Municipal de Sesimbra, saudou o aniversário da mais populosa freguesia do concelho e, na assistência, toda a comunidade local, para logo salientar que «a publicação do mencionado volume, o 1º sobre a história da localidade, possibilita-nos uma retrospetiva sobre as vicissitudes e a falta de planeamento que caracterizaram o processo urbanístico que aqui ocorreu.»

Na perspetiva do líder camarário, «esses fatores, conjugados com a circunstância de esta zona se ter transformado no maior núcleo urbano do concelho, exigiu um grande esforço do município e dos habitantes, em ordem a dotá-la das necessárias infra estruturas, um trabalho no qual a junta desempenhou um papel a inestimável.»

Neste quadro, sublinhou, Augusto Pólvora, «ao celebrarmos o 27º aniversário da criação da freguesia, uma justa aspiração dos moradores desta terra que muito concorreu para a dignificação da localidade e elevação da qualidade de vida de quem aqui vive ou trabalha, não podemos deixar de manifestar a nossa oposição à decisão do Governo, de extinguir freguesias contra a vontade das populações.»