Direita parlamentar votou contra escola secundária na Quinta do Conde

Direita parlamentar votou contra escola secundária na Quinta do Conde

As bancadas da maioria chumbaram as propostas de recomendação ao Governo, apresentadas pela oposição, visando a construção de uma escola secundária na Quinta do Conde, decorrente da petição popular, liderada pela Junta de Freguesia e subscrita por mais de 4 mil cidadãos.

A apreciação em Plenário das iniciativas legislativas protagonizadas pelo PCP, BE e Os Verdes, no dia 7 de Março, resulta das preocupações manifestadas no documento entregue na Assembleia da República em 2012, com o objectivo de alertar as diferenças forças politicas para as consequências sociais e económicas que tal situação acarreta quer para os Quintacondenses, quer para os habitantes das freguesias de S. Simão e S. Lourenço, Azeitão.

Presenciada por alunos, professores, dirigentes das associações de pais, directores dos agrupamentos de escolas envolvidos e autarcas, entre os quais os presidentes da Câmara e da Assembleia Municipal de Sesimbra, a vereadora titular do Pelouro da Educação e os presidentes das juntas de freguesia de Quinta do Conde e S. Simão (Azeitão), a apreciação do tema no hemiciclo constituiu a constatação por parte de todas as bancadas de que se trata de uma lacuna evidente, saudando, por isso, os peticionários.

Um reconhecimento manifestado por Isilda Aguincha, do PSD, quando sublinhou, “tratar-se de uma necessidade clara”, posto que “as condições de que esta comunidade possui, não são, de modo algum, suficientes” ante o acentuado crescimento demográfico que registou, em especial, na última década, de acordo com o censos 2011, colocando-a entre os maiores núcleos populacionais da região, mas frisando que o seu partido “não faz promessas”.

No mesmo sentido se expressou João Viegas, do CDS/PP, ao afirmar “não ter dúvidas quanto à necessidade da referida escola”, mas adiantando,” não ter, também, ilusões quanto as razões que motivaram a sua não priorização, pois”, sustentou, “ o adiamento da sua construção deve-se ao facto de o governo do PS não ter elaborado o respectivo projecto”.

De acordo com a deputada socialista Ana Catarina Mendes “a escola não foi construída por mero preconceito ideológico, dado que quando este executivo assumiu funções havia 600 milhões de euros disponíveis para efetuar esta escola e outras obras, mas ao adiá-la o Ministério da Educação e este Governo disseram que os estudantes desta zona não precisam de estabelecimentos de ensino de qualidade “.

Também Bruno Dias, do PCP, se insurgiu contra a falta de coerência evidenciada pela maioria durante a apreciação dos documentos referindo “estarmos perante um problema que não podia ser mais evidente”, ao mesmo tempo que considerou a posição da maioria, “um insulto às população e a estes jovens, dado fundamentar a sua posição com o argumento de que não há dinheiro para avançar com a escola, mas há dinheiro para entregar aos bancos”, justificando, assim, a apresentação do projecto de resolução sobre a matéria apresentado pelo seu partido e do qual foi um dos proponentes.

Na qualidade de autora do projecto submetido pelo BE à apreciação do hemiciclo, Mariana Aiveca, destacou que tal iniciativa alicerça-se na justeza da reivindicação formulada pela petição, fruto de “o Governo ter abandonado os alunos, as pessoas e a comunidade, defraudando uma aspiração mais quer legitima.”

Por isso, garantiu a deputada bloquista, “a sua luta não vai parar enquanto o Governo não cumprir aquilo que já há anos lhe fora prometido”, além de relembrar que a Câmara Municipal de Sesimbra disponibilizou, em devido tempo, e a título gratuito, um terreno para o efeito.
Para José Luís Ferreira, de Os Verdes, a suspensão do início da mencionada obra previsto para 2011 “ obriga muitos alunos a deslocações superiores a 3 horas, com reflexos no aproveitamento escolar, no aumento faz despesas familiares e também nas autarquias e a negar às populações um direito com relevância constitucional”.

Nesse sentido, defendeu tornar-se “ imperiosa a construção da escola Secundária projectada para a Urbanização da Ribeira do Marchante, para que os jovens e a comunidade escolar tenha direito a uma escola de qualidade”.