Moradores indignados com GNR solicitam solidariedade da Junta

Moradores indignados com GNR solicitam solidariedade da Junta

Lotando literalmente o auditório onde decorreram os trabalhos, um elevado número de moradores da Quinta do Conde decidiu tomar parte nos trabalhos da Assembleia de Freguesia, realizada a 26 de Abril, para manifestar a sua indignação com a recente actuação da Guarda Nacional Republicana em matéria de estacionamento de trânsito.

Considerando-se perseguidos pelo graduado que actualmente comanda a força policial, responsável pela garantia da segurança de pessoas e bens na área da Freguesia, mais de uma centena de cidadãos residentes em diversas ruas da localidade participaram na recente sessão daquele órgão autárquico, com o objectivo de expressar a sua revolta pela conduta persecutória que tem caracterizado, nas últimas, semanas a intervenção da GNR local.

Segundo os moradores, a conduta repressiva, consubstanciada na emissão indiscriminada de coimas, por alegado mau estacionamento, está a tornar-lhes a vida num inferno e trazendo-lhes à memória a imagem que a referida corporação possuía no negro período da nossa história que terminou há 39 anos, ante a perseguição que, dizem, lhes é movida.

Solicitando a solidariedade e os bons ofícios da autarquia no sentido de diligenciar junto dos responsáveis distritais daquela força policial, para que a sensatez a e o bom-senso voltem a imperar e seja colocado um ponto final nas arbitrariedades cometidas pelos agentes daquela força policial, designadamente ao nível do estacionamento automóvel.

De acordo como alguns dos oradores que usaram da palavra na citada sessão do órgão deliberativo da Freguesia, “tal conduta assume foros de irracionalidade, dado que para além de serem multados tanto os veículos que se encontram junto ao passeio de qualquer dos lados da via, chegam a ser, igualmente, autuadas, as viaturas que se encontram aparcadas em artérias onde não existem sinais de proibição de estacionamento”.

Além disso, frisam, “num dos casos, verificou-se até uma situação surreal, pois foram multados, no mesmo minuto, por dois agentes, mais de noventa viaturas estacionadas numa só artéria, o que é manifestamente impossível de acontecer. Nem numa auto-estrada isso ocorrerá facilmente.”

Ante este quadro, os habitantes visados pela desenfreada ‘caça à multa’ verificada nos últimos tempos na localidade, entendem que “ a GNR deixou de ser uma mais-valia para a Quinta do Conde, transformando-se numa entidade que está a tornar as nossas vidas num inferno, devido à antipatia que o comandante local confessa nutrir pelos habitantes desta terra , a qual se reflecte numa uma intervenção, a todos os títulos, desastrosa e prepotente”.

Respondendo ao apelo dos munícipes, Vítor Antunes, Presidente da Junta de Freguesia, deu conta de um conjunto de contactos entretanto já efectuados, no sentido de devolver o desejável equilíbrio à intervenção da aludida força policial, em ordem a que seja possível atenuar a animosidade com que os habitantes actualmente olham para os elementos que constituem o efectivo local da citada corporação.

Reconhecendo que a situação adquire foros de insensatez, uma vez que “ esta força policial parece ter considerado mais importante punir os cidadãos do que assumir uma atitude preventiva e promotora da segurança,” o autarca, afirma que “não se trata de querermos que a lei não seja cumprida, queremos antes que seja cumprida com bom-senso e ponderação, o que não se tem verificado.”

Neste contexto, anunciou a possibilidade da autarquia disponibilizar apoio jurídico aos que tendo sido vítimas de situações legalmente discutíveis ou que decorrem de grosseiras interpretações da lei, queiram contestar as respectivas multas,” afirmando, por isso, que “a atitude da Junta neste domínio, é um modo de contestar comportamentos e pugnar pela existência de uma força policial que não se limite apenas a reprimir, mas que privilegie a segurança de pessoas e bens.”
Concluído o período aberto ao público os trabalhos decorreram com a aprovação por unanimidade de duas recomendações, uma saudação alusiva ao 39ª aniversário do 25 de Abril e 1º de Maio e duas moções, uma das quais exigindo a construção de uma escola secundária na Freguesia.

A par destes documentos, os representantes das várias formações politicas representadas na assembleia, aprovaram a conta de gerência da Junta referente ao exercício de 2012 e a 1ª revisão orçamental de 2013, tendo-se registado apenas uma abstenção no primeiro dos citados documentos.

Antecedendo o final dos trabalhos, o presidente do executivo prestou ainda alguns esclarecimentos sobre a intenção de construir um pavilhão multiusos perspectivado para uma das áreas onde tem lugar a Feira-Festa, equipamento que permitirá dotar a Freguesia de um espaço para a realização de actividades económicas, culturais e outras.