Evocando o centenário de Álvaro Cunhal

Evocando o centenário de Álvaro Cunhal

Mural na Quinta do Conde perpétua ideais da liberdade e da cultura

Perpetuando os ideais humanistas e libertadores que caracterizaram a vida de Álvaro Cunhal, a par da sua intensa actividade cultural, a Junta de Freguesia da Quinta do Conde assinalou a passagem do centenário do nascimento desta importante figura do século XX português, com a inauguração de um mural junto à Escola Básica Integrada da Quinta do Conde.

A iniciativa, levada a efeito a 10 de Novembro, data em que se assinalou por todo o país a referida efeméride, permitiu ainda à autarquia concretizar um trabalho urbanístico concebido por Domingos Vaz, tendente a requalificar um espaço utilizado como passagem pedonal, conferindo-lhe outra dignidade.

O acto inaugural testemunhado por significativo número de habitantes da localidade, autarcas e dirigentes associativos da freguesia, contou, igualmente, com a participação de um representante do Comité Central do Partido Comunista Português, força política que teve em Álvaro Cunhal o seu mais destacado militante durante de várias décadas.

O trabalho escultórico da autoria de Hugo Maciel, escultor residente na localidade, mas que não pôde estar presente dado se encontrar em trabalho na Eslováquia, procura realçar a visão que o carismático líder comunista tinha da sociedade e a importância da cultura e da arte para o desenvolvimento das comunidades.

Por essa razão, refere Hugo Maciel numa mensagem lida por seu pai, a concepção desta obra, visa salientar igualmente “um homem que, unindo os seus princípios ideológicos e a sua intervenção política e revolucionária ao plano social, como estímulo à coesão, à acção colectiva e à sua proximidade aos jovens, a par do apaixonado interesse pela criação artística, expressos nas suas obras literárias desenhos e pinturas, soube espelhar uma continuada reflexão sobre a sociedade em áreas diferenciadas”.

Segundo igualmente o autor desta obra, “foi essa personalidade e pensamento que se perpetua neste mural, como marco do partido comunista português, mas, mais do que isso: para as pessoas, para comunidade e para Portugal”.

Para Vítor Antunes, presidente da Junta de Freguesia, a realização desta homenagem constitui “um acto simbólico, representativo da gratidão do povo desta terra ao político, ao democrata, ao pensador, ao escritor, ao artista, ao homem no seu todo”, logo, “ao distinto obreiro da -e na- Revolução dos Cravos, cujo dia D celebra 40 anos no próximo 25 de Abril”.

De acordo com o autarca quintacondense, Álvaro Cunhal esteve em quatro ocasiões na Quinta do Conde, em acções de natureza política e “nas intervenções que aqui produziu, deixou mensagens de esperança e emancipação; de incentivo à organização dos trabalhadores; à defesa da soberania e da independência nacional e cujo conteúdo se revelam orientações estratégicas para os dias que correm, especialmente quando alguns nos apontam como solução, o caminho da emigração, trilho forçado para mais de 120 mil portugueses em 2012, muitos dos quais quintacondenses”.

Presente na cerimónia Augusto Pólvora, presidente da Câmara Municipal de Sesimbra, congratulou-se com “a excelente ideia da Junta de Freguesia e felicitou o autor da peça que na sua opinião, “traduz, de modo fiel, alguns traços fundamentais da personalidade multifacetada de Álvaro Cunhal”, ao mesmo tempo que sublinhou as qualidades artísticas do homenageado e a sua capacidade de luta pela democracia e de resistência à ditadura. Na óptica do líder camarário sesimbrense “trata-se de alguém que foi capaz de propor soluções para o nosso país, resultantes de uma personalidade defensora de critérios muito justos e que hoje nos permitem saber melhor o sentido da sua visão para Portugal. Por isso, o exemplo de vida e de luta que nos legou são valores que ficarão a marcar este país.”

Encerrando a cerimónia, Nuno Costa, membro do Comité Central do PCP, manifestou o agradecimento do seu partido pela “bonita homenagem àquele que foi um dos mais brilhantes lutadores pela liberdade, salientado no pensamento que expressa um conteúdo revolucionário e um projecto político de que Portugal e o mundo necessitam”. Destacando também a vida do líder histórico do PCP na defesa dos valores e ideais em que acreditava, o dirigente comunista, aludiu ainda à actividade cultural e artística que marcou a postura de Álvaro Cunhal até ao final da sua vida e a forma como enriqueceu positivamente a reflexão teórica do acto criativo. Por todas estas razões, concluiu Nuno Costa, “estamos perante alguém que dedicou toda a sua vida aos espoliados e oprimidos, assumindo um papel destacado nas conquistas de Abril, no estímulo à libertação dos povos e ao papel criador dos trabalhadores”.