Dia Internacional da Mulher

Dia Internacional da Mulher

“A Mulher e a Revolução de Abril”, constituiu o tema de um animado debate promovido pela Junta de Freguesia da Quinta do Conde, no âmbito das comemorações do Dia Internacional da Mulher, iniciativa que integrou ainda a inauguração de uma exposição fotográfica de Bárbara Dias intitulada, “Uma Família Moderna”.

O encontro, realizado a 7 de Março nas instalações da autarquia, contou com as participações de Diana Andringa, jornalista; Regina Marques, dirigente do Movimento Democrático das Mulheres e Jadiyetu El Mohtar, dirigente da União das Mulheres Saharauis, às quais se associaram Felícia Costa, vice-presidente da Câmara Municipal de Sesimbra e Odete Graça, Presidente da Assembleia Municipal sesimbrense.

A sessão, aberta pela actuação do Grupo Coral Arco Íris, afecto ao Grupo Desportivo e Cultural do Conde 2, que interpretou quatro temas do cancioneiro popular, caracterizou-se por uma profunda reflexão sobre a situação da mulher no quadro da actual realidade social do país e do mundo e das vitórias que ao longo dos tempos ela conseguiu alcançar, em consequência da persistente luta pela sua emancipação e dignificação.

Ante uma plateia maioritariamente feminina, Diana Andringa, debruçou-se sobre vários aspectos que marcam o dia-a-dia das mulheres portuguesas, quer no plano laboral, quer no plano das relações afectivas, razão pela qual defendeu ser, apesar de tudo, melhor “haver mais licenciados, mesmo que desempregados, do que o reduzido número de licenciados que havia em Portugal antes de Abril de 1974.”

Por outro lado, na opinião da conhecida jornalista e comendadora da Ordem da Liberdade, “apesar das graves consequências sociais decorrentes da guerra colonial, esta acabou por assumir-se como um marco importante na emancipação da mulher, posto que devido à falta de mão-de-obra masculina, esta deixou de estar confinada apenas ao espaço de casa possibilitando-lhe a entrada na vida produtiva.”

Além disso, alertou ainda os presentes para “a falsa moralidade que aí vem”, protagonizada por alguns sectores sociais e políticos e dos reflexos negativos que a mesma terá na vida das mulheres portuguesas, caso não seja devidamente combatida.

Apontando como exemplo a apreciação na Assembleia da República, de uma petição visando o fim da gratuitidade da Interrupção Voluntária da Gravidez em hospitais públicos, Diana Andringa, sustentou que “ a mulher é um ser com direitos e não um objecto propriedade do homem”, logo, adiantou, “ mais importante do que mudar as leis, é mudar as mentalidades”.

De acordo com Regina Marques, “a celebração do 8 de Março, é um pretexto para revitalizar as conquistas das mulheres e o debate dos assuntos que mais as preocupam, tais como o direito ao trabalho, o combate ao flagelo do aumento da prostituição e a eliminação da pobreza”.
Advogando “uma participação empenhada das mulheres na luta pela sua dignificação e no combate às politicas nacionais e europeias que conduziram ao agravamento das tremendas desigualdades que ora se verificam”, a dirigente do MDM aproveitou igualmente a ocasião para Instigando “as mulheres a assumirem em plenitude o seu lugar de agentes de mudança”, por entender que o dia que lhes está internacionalmente consagrado, não deve ser apenas “um dia de celebração mas também um dia de luta”.

Enquanto isso, Jadiyetu El Mohtar, explicava as razões históricas que estão na génese da luta do povo do Sahara Ocidental contra a ocupação marroquina, dando também conta das violações de que as mulheres são alvo por parte dos soldados marroquinos e da repressão que se abate sobre o seu povo.” Uma situação, em tudo semelhante à que ocorreu em Timor-Leste, protagonizada pela Indonésia”, afirmou.
Para a dirigente da União das Mulheres Saharauis, organização integrada na Frente Polisário de Libertação, força que pugna pela realização de um referendo visando a autodeterminação e independência daquele antigo território espanhol, “não obstante vivermos em campos de refugiados com a ajuda internacional, conseguimos manter a nossa dignidade devido à capacidade organizativa e à inquebrantável determinação que nos anima.”
Neste contexto, manifestou o desejo de que a plateia e a população da Quinta do Conde participem activamente numa campanha lançada a nível mundial, tendente a motivar a ONU a tomar posição contra a tortura e as atrocidades cometidas pelas autoridades marroquinas em território saharaui.

Por seu turno, Felícia Costa, vice-presidente da edilidade sesimbrense e titular dos pelouros da cultura e educação, expressou em nome do executivo municipal a sua “gratidão por ter tido a oportunidade de tomar parte neste momento de partilha de experiencias e emoções”, levada a efeito pela Junta de Freguesia da Quinta do Conde.”
“Tratou-se de uma iniciativa que nos permitiu lançar um olhar retrospectivo sobre os saltos qualitativos registados em Portugal nas últimas quatro décadas, em matéria de dignificação do estatuto da mulher e dos preocupantes sinais de retrocesso que ora se observam em diversos domínios,” referiu a autarca.
Segundo a edil, “o quadro social que vivemos, agrava de modo significativo o papel da mulher nas diferentes vertentes em que ele se manifesta, pelo que”, a seu ver, “deve alicerçar-se numa parceria entre os dois sexos, no sentido da criação de uma sociedade mais democrática e justa.”

Na sua qualidade de mulher e de presidente do órgão deliberativo do município, Odete Graça, felicitou as oradoras convidadas e a entidade promotora do evento, sublinhando o contributo que este trouxe para a uma reflexão sobre a sociedade e o importante e saudável exercício de memória a que nos remeteu, forçando-nos a passar em revista alguns aspectos da nossa vida colectiva nos anos 70 do século passado, colocando-os em paralelo com o presente.
“Antes de 25 de Abril muitos jovens não dispunham de condições para comer yogurtes. Hoje também já há muitos jovens que não dispõem também de condições para os comer”, disse.
Enumerando depois alguns exemplos das conquistas igualitárias obtidas pelas mulheres ao longo destas quatro décadas, a líder da Assembleia Municipal de Sesimbra, destacou entre outras, a participação da mulher no Poder Local e da competência e sensibilidade que empresta à função política.
“Tal decorre de uma consciência de cidadania activa, que deve ser reforçada, para que hoje, amanhã, todos os dias, saibamos contribuir para construirmos uma vida diferente daquela que nos querem impingir”, concluiu.

Dia Internacional da Mulher (2)