II Festa Medieval voltou a atrair milhares à Quinta do Conde

II Festa Medieval voltou a atrair milhares à Quinta do Conde

A recriação do ambiente caraterístico de uma feira medieval voltou a assentar arraiais, pelo segundo ano consecutivo, no Parque da Vila, entre 13 e 16 de Abril, fazendo desta sala de visitas da Quinta do Conde, o centro das atenções de moradores e forasteiros.

A iniciativa, resultante de uma parceria entre a Junta de Freguesia e a empresa Trás Eventos, apoiada pela Câmara Municipal de Sesimbra, pretendeu assumir-se como uma viagem à atmosfera que envolvia os acontecimentos da vida das populações em dias festivos, num tempo em que o território da Freguesia era propriedade do Mosteiro de S. Vicente, afecto à Ordem dos Cónegos Regulares de Santo Agostinho, uma das mais antigas em Portugal e, mais tarde, aos Condes de Atouguia, daí resultando a origem do seu topónimo.

Demonstrações da arte da falcoaria, simulação de combates a cavalo e a pé, bailes, arqueiros, domadores de aves de rapina, prestidigitadores de natureza vária, tocadores de gaita de fole, tamborileiros, damas, cavaleiros foram algumas das actividades e figuras que transportaram os visitantes para outros séculos e outra realidade de que os livros de história nos dão conta.

Entre tendas de venda de plantas medicinais, “ervas milagrosas”, bijutarias, artesanato, roupas, artigos de cabedal, doces, licores, bebidas espirituosas, tascas de comes e bebes, os visitantes puderam, à semelhança do ano anterior, observar ou tocar em animais como burros, cabritos, patos, galinhas, coelhos, cavalos ou ser fotografados com cobras de várias dimensões, águias, corujas e mochos de diferentes espécies.

Um programa concebido com o intuito de reavivar a memória de alguns dos principais costumes e tradições da época medieval, animando quantos acorreram no fim-de-semana da Páscoa a este espaço privilegiado da freguesia, proporcionando aos mais novos o convívio com diversos aspectos que caracterizavam o quotidiano dos seus antepassados.

De acordo com Rui Alexandre, responsável da aludida empresa promotora de eventos, “esta segunda edição do evento cresceu tanto em matéria de área ocupada e de ofícios, registando-se quase o dobro dos expositores presentes em 2016, como no que se refere a iniciativas de animação, vertente que, constituiu uma aposta comparativamente superior à da primeira edição.”

Para o dirigente da referida empresa, “tratou-se de introduzir as alterações que, na nossa óptica, seriam susceptíveis de conferir ao acontecimento outro grau de atratividade, em ordem a aproveitarmos as excelentes condições que o espaço oferece e a elevada adesão popular justifica”.

Pioneiro neste tipo de certames a nível nacional, Manuel Marques, proprietário de um espaço de fabrico e venda de fogaças de Santa Maria da Feira, confessa que esta primeira participação na festa medieval da Quinta do Conde constituiu “uma agradável surpresa”.

Segundo o citado expositor, detentor, aliás, de uma vasta experiência internacional, decorrente da sua participação em eventos semelhantes em Espanha, França, Itália e Estados Unidos, “ trata-se de uma das melhores feiras do género realizadas na região de Lisboa, quer pela beleza e condições do espaço, quer pelo acolhimento que o publico lhe dispensa.“

Marcando, igualmente, presença pela primeira vez nesta iniciativa tendente a reavivar a memória histórica, Tiago Coelho, falcoeiro da zona de Mafra, que há uma década toma parte em acontecimentos deste âmbito exibindo a arte da falcoaria, “o acolhimento das pessoas foi muito gratificante, pelo que tenciono regressar no próximo ano se acaso for convidado.”

Opinião semelhante manifesta Ramiro Magalhães, artesão de Santa Maria da Feira que se dedica à confecção de artigos da madeira e a bijutaria e que tendo tomado parte na edição de 2016 decidiu “repetir a experiência, devido ao êxito organizativo que a caracterizou, ao agrado com que o publico a recebeu e à simpatia que dispensa a quem empresta o indispensável colorido que este género de eventos reclama.”

Na perspectiva de Paula Póvoa, porta-voz dos Cavaleiros do Tempo, entidade a quem coube a tarefa de efectuar os espectáculos de animação equestre contemplados nesta edição, “não tínhamos ideia de que fosse uma festa com tanto público. Ainda por cima, levada a efeito num espaço muito bonito e bem situado, pelo que tencionamos voltar em próximas edições.”