Faltam médicos e… falta ética!

Faltam médicos e… falta ética!

A Junta de Freguesia da Quinta do Conde tem vindo a exigir ao Ministério da Saúde a prestação de cuidados de saúde com qualidade e oportunidade, para todos, sem discriminação de qualquer natureza.

É claramente insuficiente o número de médicos em serviço na Quinta do Conde; São insuportáveis os valores da taxas moderadoras; São lentas e distantes, as respostas aos casos de urgência.

A Portaria 82/2014, anunciada como de “reorganização e qualificação do parque hospitalar”, só acrescenta instabilidade e desorganização a um setor vital da nossa sociedade.

Objetivamente propomos:

– O reforço dos meios humanos e técnicos nos cuidados de saúde primários;
– A contratação dos profissionais de saúde em falta e o fim da precariedade laboral que o setor enfrenta;
– A revogação das taxas moderadoras e  a criação de critérios para a atribuição de transportes de doentes não urgentes, assegurando a acessibilidade de todos os utentes aos cuidados de saúde;
– A suspensão do processo de reorganização hospitalar em curso e a revogação da Portaria nº82/2014;
– A construção do Hospital no Seixal, conforme compromisso assumido pelo governo com as câmaras municipais de Sesimbra, Seixal e Almada.

E defendemos honestidade de procedimentos

Vieram recentemente a público notícias que apontavam para a vinda de dois médicos estrangeiros para a Quinta do Conde, caso a Câmara Municipal de Sesimbra oferecesse alojamento a esses profissionais. E nesse embuste embarcaram alguns autarcas locais, autarcas com “a” pequeno naturalmente, autarcas sem coerência nem critério, sem passado nem perspetivas de futuro, a garantir que por €350 por mês a Quinta do Conde teria 2 médicos e resposta para quatro mil utentes. Nada mais falacioso! Importa esclarecer (e a estes vendilhões do templo, recordar) que:

• A responsabilidade pelos recursos humanos na “Saúde” é, inequivocamente, da Administração Central através do Ministério da Saúde;

• Os mesmos dois médicos foram prometidos a vários municípios;

• As autarquias enfrentam paralisantes obstáculos burocráticos e económicos, de duvidosa legalidade constitucional, impostos pelos últimos governos;

• Esta reprovável proposta evidencia tal falta de ética, de lisura, de seriedade e de vergonha que os seus proponentes deviam isso sim demitir-se do exercício de qualquer cargo público ou político.

Os quintacondenses podem contar com a sua Autarquia, firme na defesa dos seus interesses, na apologia do Serviço Nacional de Saúde, pelo cumprimento da Constituição da República, com coerência e com ética.

Quinta do Conde, 26 de setembro de 2014.