Quinta do Conde evoca memória do padre Manuel António Pimentel

Quinta do Conde evoca memória do padre Manuel António Pimentel

A passagem do décimo aniversário do seu falecimento constituiu o pretexto para a realização de uma sessão evocativa do pensamento e vida do padre Manuel António Pimentel – pároco na Quinta do Conde de janeiro de  1994 a setembro de 1997 -, promovida pela Associação dos Padres do Prado e pela Liga Operária Católica, com o apoio da Junta de Freguesia.

O encontro, realizado a 14 de Setembro nas instalações do Centro Infantil do Centro Comunitário da Quinta do Conde, reuniu familiares do homenageado, amigos, colegas e cidadãos que com ele privaram, quer na paróquia quintacondense, quer nas diversas instituições onde exerceu as suas funções sacerdotais.

Denominada “celebrar 10 anos de memória viva”, a homenagem relembrou não apenas episódios reveladores do humanismo que caracterizava a sua personalidade, mas também a permanente atenção que dedicava aos movimentos sociais, em particular, os que se visavam com a defesa dos operários e mais desfavorecidos, assumindo-se, no arquipélago dos Açores, como um dos principais protagonistas do movimento pela renovação da Igreja ocorrido nas décadas de 60 e 70 do século passado, facto que levou, em 1975, o então bispo de Angra do Heroísmo, a impor-lhe residência em Lisboa sem qualquer cargo ou paróquia.

Figura destacada da intervenção da Acção Católica Operária, junto da comunidade portuguesa em França, o referido pároco evidenciou, ao longo da sua vida, uma constante capacidade de entrega à defesa dos valores da fraternidade e solidariedade.

Para Horácio Noronha, padre da paróquia do Pragal, Almada, “a dedicação aos trabalhadores foi uma das marcas da sua vida. Tratava-se de um homem cuja solidariedade para com os amigos era, por vezes, desconcertante”, sublinhou.

Não surpreende, por isso, que D. Manuel da Silva Martins, bispo emérito da diocese de Setúbal e o seu sucessor, D. Gilberto Canavarro, assim como vários amigos do homenageado, tenham enviado mensagens prestando tributo à memória do sacerdote evocado e congratulando-se com a realização da mencionada iniciativa.

Por outro lado, segundo Artur Goulart, outro dos amigos de Manuel António Pimentel que usaram da palavra no decurso da citada sessão, “uma das características marcantes da sua personalidade radicava na inesgotável capacidade de se entregar àqueles com quem convivia”, traço igualmente realçado por uma sobrinha do malogrado sacerdote, que se deslocou dos Açores para participar neste evento.

Salientem-se igualmente as participações de Olegário Paz, amigo do homenageado e tal como ele natural dos Açores (o qual revelou à assistência alguma correspondência trocada entre o prelado português e um casal de amigos italianos, na qual expressa, de modo evidente, o seu pensamento quanto ao posicionamento que, na sua perspectiva, a igreja deveria adoptar em matéria de defesa dos mais desfavorecidos), e de Jardim Gonçalves, padre que conviveu com Manuel António Pimentel quando ambos desempenham a sua actividade junto da emigração em França.

A sessão ficou ainda marcada pela intervenção musical do Grupo Coral “ A Voz do Alentejo” na Quinta do Conde e pelos testemunhos de uma dirigente da Liga Operária Católica residente na Freguesia; Paulo Rato, em representação do Agitato, grupo cuja fundação ocorreu no período em que Manuel Pimentel acompanhou a paróquia da localidade; Brígida Alves, em representação da paróquia de Santa Cruz, Barreiro.

Antecedendo o final do encontro, Vítor Antunes, presidente da Junta de freguesia, manifestou a sua felicidade pelo facto de “a localidade ter tido, em determinada período da sua história, dois párocos com a dimensão humana e social de Manuel Pimentel e de Horácio Noronha, situação que muito concorreu para que esta terra seja aquilo que hoje é.“