Lar de Idosos em debate

Lar de Idosos em debate

A luta pela concretização da velha aspiração do Centro Comunitário da Quinta do Conde, em construir um Lar de Idosos que responda às necessidades da população da freguesia, constituiu o tema de um debate realizado a 22 de Novembro na sede desta Instituição Particular de Solidariedade Social quintacondense.

O encontro, efectuado no âmbito das comemorações do 27º aniversário da agremiação, visou esclarecer os associados e as forças vivas da localidade quanto às diligências feitas em torno da imperiosa necessidade do referido equipamento social e, por essa via, reforçar a vontade daqueles que se têm empenhado na realização desse sonho, cuja génese é anterior à própria criação da instituição.

Subordinado ao tema “Lar de Idosos. Porquê? Quando? Como? Para quem?”, o referido  debate teve ainda como objectivo sensibilizar as várias forças politicas com assento parlamentar para importância deste dossier, razão pela qual convidou formalmente deputados das diferentes forças políticas com representação parlamentar, mas por motivos de vária ordem, apenas o PCP se fez representar, através de Bruno Dias.

No decurso dos trabalhos, que contaram também com Elisa Chagas técnica social da edilidade sesimbrense; Helena Cordeiro, presidente da entidade promotora do evento; Vítor Antunes, Presidente da Junta de Freguesia da Quinta do Conde, e Felícia Costa, Vice-presidente da Câmara Municipal de Sesimbra e titular do pelouro da acção social do município, os intervenientes analisaram as diferentes fases que têm caracterizado este conturbado processo e os absurdos argumentos evocados pelos diferentes governos para fundamentar as recusas em financiar tão relevante projecto de cariz social.

De acordo com Elisa Chagas “a leitura do Censos de 2011, revela que esta localidade foi uma das que registou maior crescimento populacional na última década, triplicando não apenas o número de jovens, mas também na faixa da população com idade superior a 60 anos, onde esse crescimento ronda os 65%, pelo que se afigura indispensável a criação de equipamentos que respondam às actuais e futuras carências de equipamentos sociais com que os habitantes se confrontam, especialmente, os mais desfavorecidos”.

Segundo Helena Cordeiro, o que preocupa os responsáveis da associação aniversariante, são as pessoas, designadamente, as que não têm condições de recorrer a lares privados, devido à falta de recursos económicos. Por esse motivo, afirmou a presidente do Centro Comunitário, “entendemos promover uma petição que foi entregue na Assembleia da República, com o intuito de levar o parlamento a discutir o assunto no hemiciclo.”

Para a dirigente do CCQC, essa iniciativa “não decorre de interesses político-partidários, mas do desejo de concretizarmos a ideia que esteve na origem da criação desta Instituição e dos superiores interesses da comunidade quintacondense, cujas carências neste domínio são evidentes, acentuadas, de resto, notoriamente nos últimos anos em consequência da crise que o país vive.”

Na opinião de Felícia Costa, “a luta pelos sonhos é uma característica dos habitantes da Quinta do Conde, demonstrada, aliás, na capacidade com que, numa fase inicial, lutou pela obtenção de energia, água e transportes e mais recentemente pelo centro de saúde”, asseverando ainda que “muitas das coisas que hoje temos só as conseguimos obter porque lutámos por elas, pois, de outro modo, não as teríamos”.

Na perspectiva da edil, “a justa e legítima reivindicação do Lar de Idosos é mais uma das várias batalhas que os habitantes da localidade ao longo dos anos protagonizaram e que, igualmente, acabarão por conquistar, não obstante os governantes lhes fecharem as portas ou lhes mentirem.”

Por seu turno, Vítor Antunes, salientou a relevância da petição entregue sobre esta matéria na Assembleia da República e da importância de que a mesma se reveste ante a eventual apresentação de projectos de resolução, tendentes a recomendar ao governo a sua execução, apelando, por isso, aos diversos grupos parlamentares no sentido de saberem dar resposta aos anseios da população quintacondense.

“Trata-se de uma aspiração justíssima, que não pode ser recusada sob o estafado argumento da crise, quando se dá milhões de euros para salvar bancos”, afirmou, para logo acrescentar: “ qual crise? Só se for a de valores.”

Na mesma linha de pensamento se pronunciou Bruno Dias, ao referir que “este país tem de garantir condições de vida dignas às pessoas mais idosas”, defendeu que em seu entender, “este projeto já devia estar no terreno para satisfazer as necessidades das pessoas que aqui vivem”.

Salientando o papel das IPSS, o deputado comunista assegurou ainda que “quando o movimento popular trabalha, como neste caso se constata, seguramente que mais tarde ou mais cedo alcançaremos a vitória e abriremos as portas dos sonhos que nos mobilizam, apesar do modo como os nossos governantes nos tratam, prosseguindo políticas que pretendem fomentar a intervenção da denominada iniciativa dos privados, sendo que, e neste domínio, tal intervenção se traduz, na prática, na proliferação de lares ilegais“.

Por esse motivo, concluiu ainda o parlamentar eleito pelo circulo de Setúbal: “ Estamos diante de um dossier que já há anos mereceu a nossa defesa,” e embora não tenha anunciado nenhum compromisso em nome do seu partido sobre a apresentação de um eventual projecto de resolução quando a petição subir a plenário, garantiu que “ neste, como em muitos outros temas, o que defendemos ontem, defendemos hoje.”

CCQC