Combater a processionária atraindo aves

Combater a processionária atraindo aves

A Junta de Freguesia está a promover a colocação de ninhos no interior da Vila, com vista a atrair aves insetívoras, visando múltiplos objetivos. A iniciativa, em fase experimental, vai envolver jovens alunos duma escola local e visa a médio prazo reduzir o número de colónias de lagarta do pinheiro (a processionária) no interior da Quinta do Conde.

As aves insetívoras são um bom regulador do ecossistema e daí a aposta da autarquia, em atrair para o interior da Quinta do Conde mais aves deste tipo, concretamente da família dos chapins (Chapim azul, Chapim real,…). Um ninho bem localizado e água por perto são fatores essenciais para o êxito da iniciativa.

A experiência já foi realizada, com sucesso, noutros locais e a expetativa da Junta de Freguesia é de que a ela adiram também os habitantes na generalidade, sobretudo aqueles que possuem árvores de porte médio nos seus quintais.

O chapim é um pássaro que se adapta com facilidade à proximidade das pessoas.

A “processionária” ou lagarta do pinheiro como é mais vulgarmente conhecida, é uma praga que ataca principalmente os pinheiros – mansos ou bravos – e os pode levar até à morte, tudo dependendo da idade da árvore e do volume dos ataques. São, todavia, os humanos que mais se irritam com esta lagarta que deve o nome ao facto de num dos seus vários estádios descer dos pinheiros em procissão antes de se enterrar no solo para passar à fase seguinte.

É nesta fase que a praga pode representar algum perigo para a saúde pública. Os pêlos urticantes que a lagarta apresenta podem causar alergias na pele, distúrbios oculares ou problemas no aparelho respiratório, alergias que podem ter consequências mais ou menos graves, consoante a sensibilidade do indivíduo atingido. Na Quinta do Conde os problemas mais conhecidos ocorridos com estes insectos tiveram lugar nas escolas por haver nos espaços de recreio alguns pinheiros – as árvores que proporcionam o seu alimento.

A processionária passa por vários estádios de crescimento:  no Verão, a borboleta depõe os ovos nos ramos dos pinheiros; no Outono as lagartas constróem os ninhos, uma espécie de bola de seda onde se refugiam durante o Inverno; no início da Primavera descem dos pinheiros em procissão, enterram-se no solo e em casulo podem aí passar até três anos, antes da transformação em borboleta e começar tudo de novo. Os níveis de temperatura e pluviosidade influenciam a proliferação da praga. Tempo quente e pouca chuva favorece o seu desenvolvimento.

O combate à processionária tem-se revelado difícil, dada a desproporção de meios necessários à plena eficácia de qualquer dos métodos sugeridos pela Direcção Geral das Florestas: pulverizações preventivas no final do Verão; destruição dos ninhos na fase seguinte, ou eliminar as lagartas quando estas descem das árvores.