Memórias e afetos na apresentação de “Alforge de Heranças”

Memórias e afetos na apresentação de “Alforge de Heranças”
Um momento de partilha de memórias e afectos, marcou a apresentação, na Quinta do Conde, da obra “Alforge de Heranças”, original de Fernando Fitas, distinguido com o Prémio de Poesia e Ficção de Almada 2014.

A sessão, realizada na noite de 21 de março no salão da Junta de Freguesia, constituiu uma marcante jornada do ciclo de iniciativas culturais que a autarquia está a levar a efeito tendentes a estimular junto da comunidade quintacondense hábitos de leitura e reflexão, acerca do exercício da escrita, enquanto espaço de abordagem de temas que se prendem com as expectativas, esperanças e sonhos que marcaram e marcam o nosso imaginário coletivo.

Contando com a participação do Grupo Coral A Voz do Alentejo, que interpretou várias modas do seu repertório, o encontro registou ainda o contributo do actor Fernando Rebelo expresso na leitura de vários poemas do referido livro, a par das intervenções do escritor E.S.Tagino, o qual, de uma forma clara elucidou os presentes sobre as várias vertentes que sustentam este sétimo trabalho poético de Fernando Fitas, fundamentando a sua exposição com excertos da aludida obra.

No decurso da citada sessão, Vítor Antunes, presidente da mencionada Junta de Freguesia, felicitou o autor por mais esta obra e congratulou-se com o facto da mesma ser também apresentada na localidade, considerando “um privilegio para os quintacondenses, terem a possibilidade de tomar conhecimento deste trabalho, distinguido por unanimidade num dos mais importantes prémios literários da nossa região”.

Presentes,também, no evento, João Valente, presidente da Assembleia de Freguesia da Quinta do Conde e Sérgio Marcelino, vereador da Câmara Municipal de Sesimbra, que na ocasião representava o presidente da edilidade, felicitaram, igualmente, o autor, salientando algumas das facetas que caracterizam a sua personalidade, quer como jornalista, quer, sobretudo, como cidadão intranquilo, “ante o retrocesso social que tem marcado o país nos últimos anos.”

Dando conta dos objectivos que o estiveram na génese da criação do volume ora apresentado, Fernando Fitas, depois de agradecer o apoio que a Junta de Freguesia concedeu a esta edição, confessou-se apenas, “habitante de um rio/casa, banhando um campo maior/uma planície que soube preservar os anseios, esperanças e alegrias, de quantos vislumbraram no raiar desse dia já distante, a luz de um sol inteiro e verdadeiro, ocupando as mãos, lavrando os campos, saciando as aves e dando de comer aos animais.”

De acordo com o autor de o “Ressoar das Águas” e a “Casa dos Afectos”, duas das suas obras premiadas em certames literários, “volvidas quatro décadas, confesso que no modesto alforge que transporto, resta-me apenas um pequeno álbum de memórias; um rio de antigas sedes que não cessam; uma bandeira trémula e delida e um punhado de raivas e de cardos. Nada mais.”

Contudo, segundo ainda Fernando Fitas, “porque sendo o acto de escrita, um exercício eminentemente solitário, para mim, é, também, um gesto intrinsecamente solidário”, razão pela qual teima “em fazer do exercício da escrita a sua forma de combate às injustiças”, concluiu.