A Chave da Vila

A Chave da Vila

A artéria hoje conhecida por Avenida Principal, na Quinta do Conde, começava com uma ligação rigorosamente perpendicular à Estrada Nacional 10, paralela ao Restaurante Quinta do Conde, que abriu ao público no final de 1970.

Em 1984 registou-se uma significativa intervenção no início da Avenida Principal com a deslocação do mercado de levante, das bermas do arruamento para o recinto criado para esse fim, onde foi construído um quiosque, instalações sanitárias, pavimento em lajetas e implantadas diversas bancas. Este Mercado foi inaugurado dia 25 de Abril de 1984 e funcionou até março de 2000.

Em 1987 a Avenida Principal foi alvo de obras de grande envergadura, com a execução das redes de águas e saneamento, bem como a construção de três das quatro rotundas inicialmente projetadas (nos cruzamentos com a Rua Egas Moniz, com a Rua du Bocage, com a António Aleixo, tendo ficado por construir a prevista no cruzamento com a Rua Luís de Camões).
Nas rotundas referidas (construídas) foram implantados posteriormente (meados de 1988) postes de iluminação pública.

Na rotunda com a Rua Egas Moniz foram, já nos anos noventa, foram plantadas algumas árvores, tendo uma delas (Grevillea robusta) evoluído e raquitizado as restantes. A grevília-robusta é uma árvore nativa da costa leste da Austrália, de crescimento rápido, de folha perene, que atinge 35 metros de altura. Os ventos fortes que aqui se fizeram sentir no dia 10 de fevereiro de 2014 derrubaram um dos braços desta árvore e deste modo foi-lhe detetada uma doença, conhecida por mofo cinzento, causado por “Botrytis cinérea”, que aconselhou o seu corte perante o risco de queda.

Com o interior da rotunda totalmente vazio o presidente da Junta de Freguesia efetuou algumas diligências com vista ao preenchimento deste digno espaço, porta de entrada na nossa terra. Um dos primeiros contatos (houve outros) foi exatamente com o escultor Fernando Nunes, autor da Chave.

Face à nossa persistência conseguimos que, a troco do pagamento do material consumido, o escultor nos cedesse a obra, que desde logo apontamos para inaugurar a 25 de abril de 2015, com o nome de Chave da Vila.

De acordo com a vontade do escultor, esta é uma chave destinada a abrir e jamais para fechar.

Em termos simbólicos a chave é um objeto relacionado com mudança. Ela proporciona a oportunidade de encontrar o outro lado, o que está para além das portas. Também pode simbolizar a segurança.

Recuando no tempo, à génese do Cristianismo, a chave está associada ao apóstolo São Pedro, visto que ele possuía as chaves do paraíso, e portanto a capacidade de permitir ou recusar o acesso ao Reino dos Céus. Esse símbolo aparece também nos brasões do Papa e do Vaticano, duas chaves cruzadas (ouro e prata) que simbolizam a ligação entre os céus e a terra.
Na Mitologia Romana, Janos, o deus romano do princípio e do fim, considerado o guia das almas, guardador de todas as portas e governante dos caminhos, tem por emblema uma chave que carrega na mão esquerda.

Na Mitologia Grega, Hécate, deusa grega da religião e do submundo, guardiã da porta, era representada por, entre outros adereços, uma chave (chave do Hades).

A colocação desta escultura insere-se no projeto de criação de referências na Quinta do Conde que as autarquias locais e, particularmente, da Junta de Freguesia, assumiram há quase uma década.