Comunidade quintacondense reafirmou valores e ideais da Revolução dos Cravos

Comunidade quintacondense reafirmou valores e ideais da Revolução dos Cravos

Um vasto conjunto de iniciativas desportivas e culturais, protagonizadas pelas associações e colectividades da Quinta do Conde, assinalou, com a dignidade que o acontecimento justifica, o 41º aniversário da Revolução de Abril de 1974.

Organizado pela Junta de Freguesia, de parceria com a Câmara Municipal de Sesimbra, o movimento associativo e a comunidade educativa, o extenso programa de actividades, realizado no âmbito das comorações evocativas da conquista da liberdade, constituiu uma inequívoca manifestação das potencialidades dos quintacondenses e das suas organizações representativas.

Iniciadas na noite de sexta-feira, dia 24, com a actuação da Orquestra Geração, formada por um grupo de alunos do Agrupamento de Escolas da Boa Água, que a cada nova aparição pública se revela uma talentosa geração de jovens músicos, as festividades incluíram ainda o tradicional fogo-de-artifício, que encheu de cor os céus da freguesia e um espectáculo musical com Carlos Mendes, a par de muitas outras actividades, levadas a efeito no Parque das Vila, ao longo do dia 25, pelas agremiações locais.

No decurso das celebrações, João Valente, Presidente da Assembleia de Freguesia, chamou a atenção da população presente para o facto de “celebrarmos esta importante data numa época em que não nos sentimos particularmente felizes, devido ao desemprego que afecta um milhão de portugueses e ao acentuar das desigualdades sociais, ocorrido nos últimos anos.”
Por esse motivo, defendeu ser “ importante combater os desígnios dos novos senhores do planeta e daqueles que representando em Portugal os seus interesses, têm adiado o verdadeiro 25 de Abril e as expectativas que ele nos outorgou.”

Opinião partilhada por Vítor Antunes, Presidente da Junta de Freguesia, o qual depois de ter relembrado as conquistas sociais alcançadas nos primeiros anos da revolução, afirmou que “ao confiarmos que estas eram irreversíveis baixámos a guarda e embalámos nas teorias dos oásis, enquanto eles destruíam o sector produtivo, propalavam a inércia, acentuavam a dependência externa e especulavam para nos colocar na servidão dos agiotas”.

Por isso, sustentou, “é absolutamente imperiosa a mudança de políticas, inadiável e necessária a alternativa ao rumo de empobrecimento do povo e do país, através de políticas que claramente assumam os valores de Abril e o projecto consagrado na Constituição da República.”

Nesse sentido, segundo ainda o autarca quintacondense, “ contem connosco nos combates por uma política que assegure a elevação material das condições de vida; pela reposição da protecção social e no desemprego, no estímulo à natalidade e na salvaguarda no envelhecimento, assim como o pleno exercício das funções do Estado, designadamente na saúde e na educação, a par de políticas fiscais que desagravem a carga sobre os rendimentos dos trabalhadores e das micro, pequenas e médias empresas.

Para Vítor Antunes, tais combates visam o estabelecimento de “uma democracia que garanta o direito ao trabalho e à sua justa remuneração; o acesso em condições de igualdade aos serviços e benefícios sociais, designadamente nos domínios da saúde, educação, habitação, segurança social e cultura, em ordem a respeitar os valores que Abril nos outorgou há 41 anos, para que este país tenha futuro.”

Na mesma linha de pensamento se expressaram Carmen Cruz, Secretária da Assembleia Municipal de Sesimbra, ao referir que volvidas quatro décadas sobre a instauração da democracia “temos de continuar a lutar contra aqueles que pretendem fazer um ajuste de contas com as vitórias que o povo português alcançou nesse dia”, e Sérgio Marcelino, vereador da Câmara Municipal quando afiançou que ”mau grado as intenções dos que intentam destruir os ideais de Abril, a chama de esperança que essa data nos legou, mantém-se acesa, e, com ela, a convicção de que é possível uma vida melhor do que a que hoje vivemos.”

Além disso, Augusto Pólvora, presidente da edilidade sesimbrense, na curta intervenção feita momentos antes do espectáculo de Carlos Mendes, ocorrido ao final da tarde de sábado, manifestou a sua convicção de que sem embargo do “sombrio quadro que o país atravessa, será possível ultrapassar os estrangulamentos que se observam em muitas áreas da sociedade portuguesa. Para tanto” frisou, “é imperioso que continuemos a trabalhar pelo desenvolvimento do concelho e pela manutenção dos valores que a revolução nos confiou, há 41 anos.”