Situação da mulher em Cabo Verde, Cuba e Portugal

Situação da mulher em Cabo Verde, Cuba e Portugal

Um interessante debate alusivo à “Diplomacia no Feminino e ao Papel das Mulheres na Sociedade”, realizado a 29 de Abril na Junta de Freguesia da Quinta do Conde, concluiu o programa de actividades concebido pela autarquia para assinalar o 41º aniversário da Revolução de Abril.

Contando com a participação de Madalena Neves, Embaixadora de Cabo Verde em Portugal e Melne Martinez, 1º Secretário da Embaixada de Cuba no nosso país (que na ocasião substituiu a sua embaixadora, Johana Tablada de la Torre, a qual por motivo imprevisto se viu impossibilitada de estar presente), o debate contou ainda com a colaboração de Regina Marques, dirigente do MDM e um apontamento musical protagonizado pelas batucadeiras afetas ao Fundo de Apoio Social a Caboverdeanos em Portugal, cuja vivacidade surpreendeu a assistência.

Numa conversa que se prolongou por cerca três horas, foi possível obter uma ampla perspectiva da evolução afirmativa da mulher no quadro internacional e no contexto dos países que integram a Comunidade de Países de Língua Portuguesa, em particular, em Cabo Verde, assim como em Cuba.

Descrevendo os passos dados pelo seu país, ao longo dos 40 anos de independência, em matéria de igualdade de direitos da mulher em todos os sectores da sociedade caboverdeana, Madalena Neves, salientou, entre outros aspectos, a forte presença feminina registada desde 2005 nos diferentes executivos que têm governado aquele arquipélago e o exponencial aumento da esperança média de vida de 40 para os 79 anos, a par do expressivo crescimento das mulheres ao nível dos quadros da administração pública.

Por seu turno, Melne Martinez, traçando o retrato da intervenção da mulher cubana no plano social, cultural e económico de Cuba desde o período de luta contra a colonização até aos dias de hoje, referiu que “esta sempre se assumiu como um dos pilares da sociedade, possuindo um estatuto que a coloca entre as mais avançadas a nível mundial”, exemplificando
com o facto de se tratar do 3º país da América Latina a aprovar um código de família, instrumento jurídico que consagra todos os direitos conferidos à mulher, ilustrando a sua afirmação com um conjunto de dados estatísticos acerca da realidade do seu país.

Enquanto isso, Regina Marques, aludia à realidade social da mulher portuguesa no antes e pós 25 de Abril de 1974, constatando que “volvidas quatro décadas e muitas lutas tendentes à dignificação da mulher, as discriminações persistem, designadamente no que se refere a matéria salarial e no ingresso aos cargos de administração das empresas, tendo-se mesmo acentuado noutras vertentes, particularmente no acesso ao emprego.”

Ao longo do serão, os convidados tiveram ainda oportunidade de responder a diversas questões suscitadas pela assistência, acerca de vários temas abordos nas intervenções iniciais e outras que se afiguraram pertinentes para uma melhor aferição das realidades de cada um dos três países.

Diplomacia no Feminino