Assembleia Municipal manifesta-se pela construção de escola secundária

Assembleia Municipal manifesta-se pela construção de escola secundária

A Assembleia Municipal de Sesimbra aprovou por unanimidade uma moção reclamando a construção de uma escola secundária na Quinta do Conde, tendente a colmatar as necessidades que actualmente se registam ao nível deste grau de ensino no quadro da região.

A reivindicação, tomada no decurso de uma sessão, efectuada a 14 de novembro, na Escola Básica nº 3 da Quinta do Conde, tendente a realizar uma reflexão sobre as carências e necessidades educativas do concelho, contempla ainda a defesa de uma escola pública de qualidade e a exigência de obras de manutenção e adaptação nos edifícios das escolas Navegador Rodrigues Soromenho, Michel Giacometti e Básica Integrada da Quinta do Conde.

A referida deliberação, sustenta, igualmente, a necessidade de dotar os estabelecimentos de ensino de um quadro de pessoal auxiliar adequado a cada agrupamento de escolas, nomeadamente na Escola Integrada da Boa Água, que funciona desde a sua abertura, em julho de 2009, sem pessoal auxiliar no respectivo quadro, reivindicando também o cumprimento do principio da igualdade de oportunidades para todos os alunos, dotando as escolas do número adequado de professores do ensino especial.

Iniciada com a aprovação de um voto de pesar pela morte de mais de uma centena cidadãos – entre eles, dois portugueses-, e de solidariedade para com os familiares das vítimas dos atentados ocorridos na véspera em Paris, a reunião colheu a participação de alunos, directores dos vários agrupamentos escolares, associações de pais e responsáveis de IPSS sediadas na área do município, cujo contributo possibilitou transmitir a quantos assistiram aos trabalhos, um melhor conhecimento da realidade concelhia em matéria de ensino.

De acordo com dados revelados no decurso dos trabalhos por um dos professores que tomaram parte na aludida sessão, 23% dos jovens no concelho em idade escolar estudam no território de outros municípios e 28,4% dos estudantes residentes na Quinta do Conde, frequentam estabelecimentos de ensino situados noutros concelhos da região ou da Área Metropolitana de Lisboa.

Ante este cenário, Nelson Pólvora (PS), manifestou a convicção da sua bancada de que “a inexistência de uma escola secundária na mais populosa freguesia do município de Sesimbra, a par da remodelação e manutenção de que carecem outros estabelecimentos de ensino, assim como a integração social dos alunos, são matérias que não nos podem deixar descansados.”

Na opinião de Miguel Ribeiro (Movimento Sesimbra Unida), a eliminação das lacunas que se observam no panorama do ensino, obrigam-nos a “pressionar o novo governo no sentido de retomar o processo de construção de uma escola secundária na Quinta do Conde, tal como a proceder à requalificação das existentes, atribuindo assim o ensino a dignidade que merece”.

Para Lobo da Silva (PSD) “o parque escolar apresenta índices aceitáveis no que se reporta ao 1º ciclo, mas o mesmo não se verifica no concernente ao 2º ciclo e ao ensino secundário”, pelo que se lhe afigura imperioso o aludido estabelecimento de ensino secundário e um incentivo maior à oferta de cursos profissionais, os quais, sustentou, “não podem ser vistos como uma alternativa apenas para os denominados alunos problemáticos”.

Enquanto isso, Sandra Cunha que a par da sua dupla qualidade de representante do Bloco de Esquerda na Assembleia Municipal e de deputada do Bloco de Esquerda na Assembleia da República, salientou que “o país actualmente gasta mais em juros da divida do que em educação”, razão pela qual garantiu que a sua força política “ continuará a defender as propostas pelas quais sempre se bateu, algumas da quais integram o texto da aludida moção”.

Por seu turno, Rui João Rodrigues (CDU), considerou que “o ataque à escola pública, motivado por razões ideológicas, e das dificuldades criadas à qualidade do ensino daí decorrentes, os estabelecimentos do concelho têm conseguido assumir um papel relevante na formação dos cidadãos”, facto que o levou a assegurar que a CDU apresentará no hemiciclo os projectos que permitam “conferir à escola pública a dignidade que lhe é devida”.

Antecedendo o final dos trabalhos, Felícia Costa, Vice-presidente da Câmara Municipal de Sesimbra e titular do pelouro de educação sublinhou que “apesar dos constrangimentos colocados nos últimos anos ao sector da educação, a preocupação da edilidade tem sido a de procurar preparar os jovens para os desafios do futuro, envolvendo para tanto os todos os agentes do processo educativo.”

Neste contexto, destacou, “Sesimbra nunca se limitou apenas a cumprir as competências que legalmente lhe são atribuídas, indo muito além disso, mas “ frisou, ”negamo-nos a assumir competências que visam a fiscalização dos agentes educativos e colocam em causa a sua autonomia”

Expressando a disposição da autarquia de tudo fazer no sentido de que o Ministério da Educação resolva os problemas decorrentes da ausência de uma escola secundária na Vila da Quinta do Conde, que servia também as freguesias vizinhas e proceda a obras de requalificação e manutenção nos estabelecimentos que delas carecem”, a edil realçou ainda ser esta, na perspectiva camarária, “a melhor forma de defender a existência de uma escola pública de qualidade”.