1ª Festa Medieval da Quinta do Conde acolhida por um mar de gente

1ª Festa Medieval da Quinta do Conde acolhida por um mar de gente

Damas, moços de espadas, domadores de aves de rapina, encantadores de serpentes, malabaristas, tocadores de gaita de fole, tamborileiros e outras figuras do período medieval, assentaram arraiais durante quatro dias na Quinta do Conde, transformando o Parque da Vila numa feira à qual afluíram várias dezenas de milhar de pessoas.

Entre tendas de venda de plantas medicinais, “ervas milagrosas”, bijutarias, artesanato, roupas, artigos de cabedal, doces, licores, bebidas espirituosas, cerveja e comes e bebes, os visitantes puderam observar ou tocar em animais como dromedários, burros, cavalos ou ser fotografados com cobras de várias dimensões, águias e corujas de diferentes espécies.

A iniciativa, realizada de 24 e 27 de Março, e decorrente de uma parceria entre a Junta de Freguesia e a empresa Trás Eventos, apoiada logisticamente pela Câmara Municipal de Sesimbra, visou a recriação do ambiente característico deste tipo de acontecimentos que marcavam a vida das populações em datas festivas, numa época em que o território da Freguesia era propriedade do Mosteiro de S. Vicente, afeto à Ordem dos Cónegos Regulares de Santo Agostinho, uma das mais antigas em Portugal e, mais tarde, aos Condes de Atouguia, daí resultando a origem da sua actual designação.

Reavivar a memória de alguns dos principais costumes e tradições da referida época, nomeadamente, combates de espadas, bailes e danças populares, constituíram igualmente motivo de interesse para quantos acorreram à principal sala de visitas da localidade ao longo do fim -de-semana da Páscoa, proporcionando aos mais novos o convívio com diversos aspectos que caracterizavam a realidade quotidiana dos seus antepassados.

De acordo com Rui Alexandre, responsável da aludida empresa promotora de eventos, “a ideia de realizar a iniciativa da Quinta do Conde, decorreu das excelentes condições que o espaço oferece para este tipo de acontecimentos, mas, também, pelas raízes históricas da Freguesia e o elevado número de habitantes que possui”.

Segundo ainda o referido responsável, “por esse motivo, a programação concebida para esta primeira edição do certame, integrou não apenas a venda de produtos de diferentes géneros, mas, simultaneamente, momentos de animação musical, jogos medievais e um sem número de outras actividades susceptíveis de colher o agrado do público e a pronta adesão de uma centena de expositores provenientes de todas as regiões do país, que trouxeram uma vasta gama de artigos relacionados com esta temática. ”

Para Dina Matos, produtora e vendedora de ‘grinaldas da felicidade’, peça que, diz, na Idade Média as senhoras e jovens colocavam na cabeça em dias de festa, com o intuito de chamar a atenção dos cavalheiros, “o acolhimento com que fomos recebidos pelo público que acorreu à feira, foi deveras gratificante”, pelo que refere estar bastante satisfeita por ter participado na primeira edição do evento, razão pela qual – tal como o marido, vendedor de ginjinha de Óbidos e de licor Eduardinho – pensa voltar no próximo ano, caso a iniciativa se repita.

Opinião semelhante expressa Gabriel Coelho, artesão que há vinte anos se dedica à feitura de artigos em madeira, designadamente brinquedos, tomando, desde então, parte neste género de realizações de carácter histórico.

“Quando inicialmente fui abordado para participar na primeira recriação de uma feira medieval na Quinta do Conde, fiquei um pouco expectante, mas considero que se tratou de uma aposta ganha, pois o resultado é extremamente positivo, quer pelo acolhimento que nos foi dispensado pelos visitantes, quer pelas condições do recinto onde a mesma teve lugar”.

Neste contexto, afirma ainda Gabriel Coelho, “se em 2017 o evento tiver continuidade, faço tenção de cá estar outra vez. E caso não seja convidado, faço-me eu convidado,” afiança.

Por sua vez, enquanto tirava do forno mais uma fornada de pão com chouriço e se preparava para colocar as mãos na massa para nova remessa, Fernando Santos, padeiro, referia ter sido com uma expectativa positiva que veio à Quinta do Conde, contudo, sublinha, “esta foi largamente ultrapassada, devido ao modo como os visitantes aderiram. Por isso, cá estarei no próximo ano, se a feira de efectuar”, assegura.

Idêntico sentimento manifesta Manuel Pinto, assador de porcos, que prefere ser tratado por “Manuel Maluco”, nome pelo qual é conhecido entre o pessoal que participa nestas recriações, “através das quais há 30 anos percorro o país assando porcos no espeto e espalhando boa disposição, entre visitantes e ‘tendeiros’”.

“Estou surpreendido, pois acreditava que seria mais fraca que outras feiras em que tenho estado, dado tratar-se de primeira edição, mas a adesão popular é igual ou superior”, remata.

Entretanto, António Santos, proprietário de um dos espaços de comes e bebes situado numa das entradas do recinto, confessa ter sido “um risco vir de Matosinhos para esta iniciativa, visto não termos forma de aferir a adesão do público em resultado de nunca ter havido algo semelhante nesta localidade. Em todo o caso, arrisquei e não me arrependo. O balanço é muito bom, ultrapassando as minhas melhores expectativas. Foi um espectáculo,” conclui.

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