Festa assinalou na Quinta do Conde 42º aniversário da Revolução de Abril

Festa assinalou na Quinta do Conde 42º aniversário da Revolução de Abril

Música popular portuguesa, canções de intervenção e fogo-de-artifício marcaram o pontapé de saída das celebrações do 42º aniversário da Revolução dos Cravos na Quinta do Conde.

Iniciado com as atuações dos grupos musicais “Brigada da Terra” e “Contos Velhos Rumos Novos”, que interpretaram temas do cancioneiro popular e canções de Paulo de Carvalho, Sérgio Godinho, Adriano Correia de Oliveira, José Mário Branco e José Afonso, o programa das celebrações realizadas no Parque da Vila, reiterou a determinação dos quintacondenses em manter vivos os ideais de liberdade, justiça social e fraternidade.

Antecedendo o espectáculo de luz e cor que iluminou os céus da localidade na noite de 24 de Abril, João Valente, presidente da Assembleia de Freguesia, aludiu ao forte cariz associativista que emergiu na sociedade portuguesa após esse dia, o qual “esteve na génese da localidade e da identidade”.

Relembrando alguns momentos que marcaram a sua juventude, nomeadamente a euforia que caracterizou a entrada de Portugal na, então, CEE, questionou-se para onde foram os milhões de escudos e muitos euros de fundos estruturais que entraram em Portugal, ante o cenário que se vive nas “áreas da saúde, educação e protecção social, a par da elevada taxa de desemprego, cuja consequência é a emigração forçada dos jovens.”

Enquanto isso, Cármen Cruz, Secretária da Assembleia Municipal de Sesimbra, realçava as diferenças entre o antes e o depois da revolução de 1974, recordando em particular a guerra colonial, para sublinhar que ao contrário dessa época, “hoje defendemos os direitos dos refugiados a terem uma vida livre e digna”, do mesmo modo que “temos liberdade de expressão, reunião e associação, logo, de nos juntarmos e sermos mais fortes para lutarmos para que o nosso país não seja mais uma mera colónia da União Europeia.”

Por seu turno, Vítor Antunes, presidente da autarquia quintacondense, referiu que “há 42 anos estávamos no alvor de um novo dia, que modificaria as nossas vidas, proporcionando-nos a liberdade de pensar, escrever e falar, devolvendo-nos a esperança e a confiança na construção de uma sociedade mais justa fraterna e solidária, logo, expressivos ritmos de evolução social, cultural e política”.

Sublinhando, a esse propósito, as conquistas do salário mínimo nacional; o direito ao subsídio de desemprego e de férias; 13º mês; pensão mínima e pensão social, assim como o acesso á saúde, através da criação do Serviço Nacional de Saúde, com o consequente aumento da esperança de vida e a redução da mortalidade infantil.

De acordo com Vítor Antunes, “contudo, nos últimos anos, enfrentámos novas/velhas vicissitudes consubstanciadas na redução significativa de direitos sociais e laborais, extorsão de salários e pensões, eliminação de feriados e aumento do período laboral, extermínio de serviços, de que resultou a falência de milhares de empresas e um desemprego galopante“.

Na opinião do presidente da Junta de Freguesia “a nova correlação de forças saída das últimas eleições legislativas, permitiu estancar a sanha privatizadora da qual nem a água nem o lixo escapavam, ao mesmo tempo que possibilitou entre outras medidas, a reposição de direitos sonegados. E no caso da Quinta do Conde, a aprovação de uma resolução referente à construção do Lar do Centro Comunitário, assim como de quatro projectos de resolução tendentes à construção de uma escola secundária na freguesia.”

Encerrando o período de intervenções, Sérgio Marcelino, vereador da Câmara Municipal de Sesimbra, representando, na ocasião, o presidente do município, realçava não apenas o 40º aniversário da Constituição da República na qual se consagravam as alterações politicas e sociais ocorridas em Portugal, mas,também, o facto de “ainda hoje ser considerada uma das mais avançadas da Europa”.

Para o edil, “não obstante muitos governos se terem esforçado para que tal não acontecesse e os senhores de Bruxelas não gostarem dela, porque é incómoda para essa pandilha de obcecados por números, que ignoram os povos, a sua cultura e as suas tradições, o certo é que a mesma consagra ainda os valores de Abril”.

Segundo ainda, o elemento do executivo camarário sesimbrense, “não obstante as pressões da Comissão Europeia para a alterar, permitindo a execução de todo o tipo de medidas que visam retirar direitos a e dignidade do povo, servindo os desígnios de troikas formadas por órgãos não eleitos, aqui estamos e estaremos para dar resposta às necessidades da população”.