Junta vai reunir em Fontainhas

Junta vai reunir em Fontainhas

A Junta de Freguesia da Quinta do Conde vai reunir em Fontainhas no sábado 7 de maio, às 15h00.

As reuniões de Junta realizam-se habitualmente no edifício sede, na primeira quarta-feira de cada mês. Em maio, a primeira quarta-feira coincide com o feriado municipal e ao alterar a data o Executivo escolheu o sábado, 7 de maio, à tarde, descentralizando esta reunião para as Fontainhas.

A reunião é pública e a Junta convida os residentes a assistir.

A ordem de trabalhos prevê um período destinado ao público, ocasião em que qualquer morador pode colocar questões ao Executivo.

Um pouco de história

Fontainhas é um lugar da freguesia da Quinta do Conde. A palavra, considerada por alguns como um diminutivo de fonte é, no plural, um topónimo comum a muitos locais do nosso país. Na Carta Topográfica Militar do Terreno da Península de Setúbal, executada no início do século XIX pelo Major José Maria das Neves Costa, tem registada uma referência ao “Val das Fontainhas”. A área onde se situa a aldeia estava em 1849, como o Casal do Sapo, na posse de Abraham Wheelhouse e conheceu os mesmos proprietários até Jorge de Lima que, em 1922, desanexou da propriedade vinte parcelas, numeradas de 1 a 20, que aforou a outros tantos fazendeiros. As designadas glebas tinham áreas que variavam entre os 16 e os 50 mil metros quadrados (16). O valor do foro anual era proporcional à área. Uma fazenda de 25 mil metros quadrados, avaliada em 500$00, pagava de foro 25$00 por ano. Estes fazendeiros, oriundos de localidades da região como Coina, Penalva, Barra Cheia ou Brejos de Azeitão, para além de tratarem da terra, construíram, alguns deles, as primeiras edificações nas Fontainhas. Algumas casas e outros tantos poços juntavam-se às muitas árvores de fruto que as Fontainhas possuíam em meados do século passado. Das árvores destaque-se a existência de cerejeiras, ginjeiras e macieiras que produziam a já conhecida maçã riscadinha, para além das muitas figueiras e vinha. A presença e intervenção destes fazendeiros, em conjunto com os rendeiros que habitavam as zonas limítrofes pertencentes à Herdade da Mesquita, consolidaram o aglomerado que passou mesmo a ser o centro de uma vasta área com povoamento bastante disperso.

A abertura de estabelecimentos comerciais, mesmo de reduzida dimensão, era pois inevitável e podem mesmo considera-se os primeiros da área da atual freguesia da Quinta do Conde. O “Joaquim da Loja”, o António Calado e o Domingos Martins foram pequenos estabelecimentos onde se vendia de tudo um pouco e que abriram ainda antes da década de setenta. Destes, persistiu o Café de Domingos Martins, o primeiro da área a ser licenciado pela Câmara. As Fontaínhas mantiveram durante longos anos os traços característicos de aldeia. Contudo, a pressão da construção começou a exercer-se também aqui e no final da década de setenta algumas das antigas glebas começaram a ser esquartejadas em lotes e o povoamento de disperso passou a concentrado. A confusão ancestral dos limites do concelho de Sesimbra com o Seixal e Almada tiveram impacto também nas Fontaínhas. Em 1972, o assunto foi regulado por Decreto e das vinte fazendas das Fontaínhas apenas seis ficaram a pertencer ao concelho de Sesimbra e parece que vão ser apenas estas seis que vão garantir a denominação. A seguir ao 25 de Abril foi constituída uma Comissão de Moradores que pouco a pouco foi reduzindo a sua intervenção, até Abril de 1991, quando foi fundada a Associação de Moradores das Fontaínhas, uma estrutura com personalidade jurídica que nos primeiros anos desenvolveu intensa actividade. Todavia, a aprovação do Plano de Urbanização das Fontaínhas, em conjunto com o Casal do Sapo e Courelas da Brava, com a delimitação de áreas urbanas de génese ilegal e a consequente eleição de comissões de administração foram apenas alguns exemplos que evidenciaram a grande dificuldade para obter consensos entre os interessados.