Obra biográfica de José Júlio apresentada na Quinta do Conde

Obra biográfica de José Júlio apresentada na Quinta do Conde

A apresentação da biografia de José Júlio, toureiro que granjeou grande popularidade entre os apreciadores da festa brava aquém e além-fronteiras, constituiu o pretexto para um encontro entre aficionados da Quinta do Conde e o conhecido matador de touros.

A iniciativa dinamizada por Dário Venâncio, morador na localidade e irmão do biografado, teve lugar na sede da Freguesia a 15 de outubro, integrando-se no quadro das atividades culturais realizadas pela Junta, visando contemplar a divulgação de todas as formas de expressão e sensibilidades artísticas que povoam o imaginário coletivo dos habitantes da Freguesia.

Intitulada, “José Júlio – Vida e Tauromaquia”, a obra, publicada pela Edditora Althum, reúne os principais aspectos do trajeto profissional de um dos mais consagrados mestres da arte de lidar touros, cujo prestígio e mestria se estendeu por vários continentes ao longo de diversas décadas.

Na sua qualidade de anfitrião, Vítor Antunes, presidente da autarquia quintacondense, deu as boas vindas a tão importante figura do toureio mundial, sublinhando que a realização do referido evento se integra no âmbito na pluralidade de iniciativas promovidas pela Junta, em ordem a acolher as diferentes raízes culturais que caracterizam os habitantes da localidade.

No decurso da sessão, Luís Capucha, professor do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e Empresa, apresentador do referido volume, salientou a circunstância de José Júlio ser oriundo de uma cidade – Vila Franca – e de uma família com longa tradição taurina, posto que alguns dos seus ascendentes eram figuras ligadas à festa brava.

De acordo com o orador, “tal decorre do fato de a arte de tourear radicar numa antiga tradição cultural dos habitantes de muitas regiões do país, pelo que não se figura aceitável acolher que organizações nacionais subsidiadas por institutos estrangeiros nos imponham a sua aversão a este tipo de eventos.”

Para Luís Capucha, “o que hoje se observa em matéria de contestação às touradas tem evidentes semelhanças com o que ocorreu inicialmente com o Cante Alentejano, forma de expressão musical que apenas se ouvia nas tascas, porque quem se atrevesse a expressá-lo em público era imediatamente apelidado de tolo ou bêbado.”

Neste contexto, referiu ainda o apresentador da obra, “o livro que hoje aqui nos reúne, assume uma particular relevância, pois, para além de retratar alguém que descendendo de uma família humilde, se assumiu como uma figura ímpar no panorama mundial do toureio, devido à mestria com que entendia o touro e à sapiência com que contornava as dificuldades que ele lhe colocava, nos confere a possibilidade de possuirmos um importante documento sobre a tauromaquia, seus princípios e valores, e um relevante testemunho acerca da vida e do percurso de alguém que marcou gerações.”

Usando, igualmente, da palavra, Luís Nazaré, editor da citada obra, congratulou-se com a realização deste encontro, felicitando a Junta de Freguesia pela sua concretização, enquanto José Júlio, dava conta das agruras e descriminações sofridas ao longo da sua carreira, mormente no tempo da ditadura, em resultado de ter raízes humildes.

Segundo o biografado, “tal sucedeu devido ao fato de não ser persona grata ao regime, razão pela qual muitos críticos nem podiam tão-pouco mencionar o meu nome nas suas crónicas”, situação que o leva a concluir que “as cornadas mais violentas que colhi ao longo da vida profissional – que durou até aos 74 anos e durante a qual lidei cerca de 2500 animais – não foram dadas por touros, mas, sim, por seres humanos”.

jose-julio-3

jose-julio-1