Ativista americano dos direitos humanos deu palestra na Quinta do Conde

Ativista americano dos direitos humanos deu palestra na Quinta do Conde

Bob Brown, activista dos direitos humanos nos Estados Unidos e um dos fundadores do Partido BlackPanthers,esteve na Quinta do Conde para falar sobre crimes contra a humanidade, o tráfico de escravos, o colonialismo e os direitos cívicos dos negros.

A palestra, realizada na sede da Junta de Freguesia, a 8 de fevereiro e integrada no âmbito de uma visita que está a efectuar a vários países da Europa, visou proporcionar um olhar peculiar acerca dos tempos que vivemos, fundado na experiência adquirida na defesa da dignificação dos negros ao longo de seis décadas.

Na sua estada no nosso país, o referido activista tem ainda agendados encontros com estudantes da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, plataforma dos afro-descentes residentes em Portugal, embaixadas de países africanos sediadas em Lisboa,partidos políticos e deslocações e zonas bairros de minorias étnicas habitados por africanos.

A iniciativa, promovida pela autarquia de parceria com o Fundo de Apoio Social aos Caboverdeanos em Portugal, constitui ainda um momento de reflexão sobre as raízes da guerra africana, a pirataria e o tráfico de seres humanos.

Na ocasião, Vítor Antunes, presidente da Junta quintacondense, congratulou-se com a inclusão da localidade no programa da aludida visita, expressando votos de que leve boas recordações do nossos país e que “os contactos que aqui vai estabelecer contribuam para reforçar os seus ideais de luta pela dignificação da comunidade negra de todo o mundo,” ofertando-lhe ainda uma “Chave da Vila”, como recordação pela sua passagem pela Quinta do Conde.

No decurso da sua exposição, o referido militante da causa dos negros norte-americanos, manifestou-se grato pelas palavras do autarca e pela oferta, sublinhando que as entendia “como um gesto de solidariedade para com os movimentos que em todo o mundo pugnam pela igualdade de oportunidades para todos os cidadãos, sem distinção de cor ou credos religiosos”.

Dando conta de alguns dos principais projectos em que o seu partido está envolvido, o activista americano, a destacou, em particular, os que visam proporcionar formação superior a jovens negros, a par dos que se inscrevem no domínio do combate à segregação racial.”

Para Bob Brown “as razões desta viagem inscrevem-se no contacto com outras realidades, de modo a enriquecer-me ao mesmo tempo que transmito os conhecimentos que adquiri nos combates que travei ao longo da vida, estabelecendo, assim, laços de amizade e cooperação com os movimentos que na Europa se batem também pela paz, contras as armas nucleares e pela dignidade dos negros.”

Trata-se, segundo adiantou, de uma orientação que desde sempre tem caracterizado a actuação do seu partido e “o papel que assumiu, em matéria de estímulo e apoio conferido aos movimentos de libertações que lutavam contra a colonização portuguesa e a influência que essa luta teve para a criação de condições que permitiram a revolução de Abril e a consequente independência desses países”.

No que se reporta à actual situação do seu país, decorrente da eleição de DonaldTrump para presidente, o dirigente do BlackPanthers, sustenta que “ é uma personalidade tão imprevisível, que nem ele mesmo sabe do que é capaz de fazer”, salientando, no entanto, que “ também não nos revemos em muitos dos traços que marcaram a política de Obama e Clinton, razão pela qual protestámos e continuamos a protestar quer contra Democratas, quer contra Republicanos, visto entendermos que não é fechando os olhos que se constrói a paz”.