Ativista líbia veio à Quinta do Conde falar sobre direitos da mulher árabe

Ativista líbia veio à Quinta do Conde falar sobre direitos da mulher árabe

Uma conversa com Najwa Ben Omar, ativista líbia dos direitos da mulher, subordinada ao tema “A mulher árabe para além da burka”, constituiu uma das iniciativas que marcaram as celebrações do Dia Internacional da Mulher, promovidas pela Junta de Freguesia da Quinta do Conde.

O encontro realizado no salão nobre da autarquia, na tarde de 8 de março, pretendeu transmitir alguns aspectos da luta das mulheres árabes pela conquista da igualdade de direitos ao longo dos tempos.

Na ocasião, Vítor Antunes, presidente da referida Junta, deu as boas-vindas à oradora, saudando igualmente todas as mulheres presentes, ao mesmo tempo que sublinhava tratar-se de uma celebração decorrente de uma decisão tomada há 40 ano pela ONU.

Para Najwa Ben Omar, a utilização da burka, visa estabelecer uma barreira à comunicação entre a pessoas e os povos, situação que concorre para o desconhecimento reciproco que se constata entre o mundo árabe e as chamadas sociedades ocidentais

De acordo ainda com a activista, “o Corão que li não é o que os fundamentalistas pretendem impor, ou seja, aquele que procura manter a mulher subjugada aos ditames impostos pelo sexo oposto, conferindo-lhe um papel subalterno.”

Em seu entender, “ao longo dos tempos, ela assumiu sempre um papel de grande relevância, lutando ao lado do homem contra o império Otomano, primeiro, e contra o colonialismo, depois.”

Segundo ainda Najwa Ben Omar, “a mulher árabe tem uma longa tradição no que se refere à luta pela sua emancipação, remontando ao Século VII as primeiras iniciativas tendentes à conquista da igualdade de direitos”, pelo que, frisou, importa desmistificar algumas inverdades acerca do Islão, veiculadas pelos sectores extremistas existentes na sociedade árabe e prontamente aproveitadas por diversos órgãos de informação ocidental.”

Neste contexto, sustenta “não ser possível continuar a falar em primavera árabe, quando nos países onde ocorreu a mudança de governo na sequência do levantamento popular, porque o que hoje se verifica, é que a mulher se viu amputada de direitos tão elementares como o de viajar sozinha ou conduzir,” afirmou. “Logo, é imperioso prosseguir a luta”.