Dignificação de mulher em debate na Quinta do Conde

Dignificação de mulher em debate na Quinta do Conde

A dignificação da mulher, nas suas múltiplas vertentes, constituiu o tema central de um debate realizado no salão nobre da Junta de Freguesia da Quinta do Conde, na noite de 8 de março, tendente a assinalar o Dia Internacional da Mulher.

A iniciativa promovida pela autarquia quintacondense, contou com as participações do Grupo Coral Arco-Íris, afeto ao Grupo Desportivo e Cultural do Conde 2, que interpretou temas do cancioneiro popular; Odete Graça, presidente da Assembleia Municipal de Sesimbra e Regina Marques, dirigente do Movimento Democrático de Mulheres.

Para Regina Marques, a celebração deste dia, consagrado à mulher por decisão da ONU em 1975, “é uma forma de evocarmos a luta das operárias americanas imoladas pelo patrão quando reivindicavam melhores condições salariais e menos horas de trabalho, mas também um modo de celebrarmos no presente a valorização da mulher.”

De acordo com a dirigente do MDM “esta data tem de ser encarada como uma jornada tendente a perspectivarmos no futuro a conquista de igualdade de direitos e oportunidades, quer no que se reporta à maternidade, quer no que se refere à vida profissional, posto que a independência económica, é um facto determinante para a sua emancipação”.

Nesse sentido, adiantou igualmente que a dignificação da mulher é um imperativo dos dias de hoje, logo, passa também pelo combate ao assédio moral e sexual”, razão pela qual se manifesta contra a legalização da prostituição, sustentando que “tal regularização constitui a regularização de uma indignidade, visto que a prostituição não é um trabalho, mas um veículo de humilhação da mulher.”

Por sua vez, Odete Graça, advogou a necessidade da criação efectiva de condições iguais entre homens e mulheres em todos os domínios da vida social do país, dando como exemplo a denominada lei da paridade, a qual, a seu ver, “tem uma eficácia ilusória, posto que logo que concluído o acto eleitoral é imediatamente contornada a pretexto das mais diversas justificações ”

Segundo ainda a autarca sesimbrense, as mulheres constituem 52% da população portuguesa, mas só 24 são presidente de câmara e apenas 11% são dirigentes associativos, sendo que em matéria de desporto federado somente 25% dos atletas são mulheres.

Ante este cenário, Odete Graça, considera urgente tomarmos consciência de que “apesar de hoje haver mais informação, o quadro com que actualmente nos confrontamos não corresponde aos anseios das mulheres”, defendendo, por isso a necessidade de “medidas que permitam o aparecimento de oportunidades entre ambos os sexos, entre elas uma maior intervenção cívica dos cidadãos”.

Por essa razão, defende “não ser possível fechar os olhos à realidade, seja ela local, regional ou nacional. Todos temos o dever de ajudar a alterar este estado de coisas, em particular as mentalidades, tarefa que começa no seio familiar. É aí que esse processo tem de iniciar-se.”