40 Anos do Poder Local Democrático

40 Anos do Poder Local Democrático

O Poder Local Democrático é um produto, uma consequência lógica, da Revolução de Abril, cujo 43.º aniversário já estamos a celebrar e que aqui, agora exalto.

Foi após esta Revolução que o Poder Local Democrático emergiu e se assumiu. Ele constituiu-se como motor de desenvolvimento e de elevação das condições de vida das populações nas aldeias vilas e cidades do nosso país.

Sem Revolução, sem 25 de Abril, não teríamos este Poder Local Democrático que o povo português construiu com arrojo. Não teríamos decerto uma Constituição da República como aquela que foi aprovada em 1976 e que constitui outro marco histórico na nossa democracia.

No que concerne à Quinta do Conde, faz sentido falar do Poder Local Democrático e, sublinho, falar em simultâneo, também da Revolução de Abril.

Foi esta, com as suas conquistas, que proporcionou as condições para o planeamento, para a infraestruturação e para a subsequente qualificação urbanística da Quinta do Conde, nascida atribuladamente da ausência de resposta às necessidades de habitação que o povo em desespero então enfrentava.

Após 12 de dezembro de 1976, data das primeiras eleições autárquicas, observou-se uma aposta séria da Câmara Municipal de Sesimbra, atitude que contagiou outros agentes, generalizando o crescimento e o desenvolvimento da Quinta do Conde.

As primeiras gerações de quintacondenses vieram de todas as regiões de Portugal e de vários outros países do mundo, condição que sugeriu a criação de laços sociais entre os residentes. Nesse trabalho hercúleo e bem sucedido, destaco a ação das associações locais, outro patamar, para mim o primeiro, do Poder Local Democrático.

Sublinho a importância e o papel das associações, incluindo as comissões de moradores, constituídas na generalidade por pessoas dedicadas, generosas e laboriosas, voluntários que interpretaram os papéis de planeamento, aconselhamento e execução.

Decorridos que estão 40 anos, observado o percurso, não totalmente isento de erros, naturalmente, fazemos um balanço francamente positivo.

A Quinta do Conde cresceu e desenvolveu-se.

Sentimo-nos atores nesta evolução e temos orgulho na contribuição que lhe proporcionámos.

Estivemos, com a generalidade dos quintacondenses, na luta pelo nó desnivelado, por telefones, por uma estação de correios, por legislação para regular a reconversão urbanística.

A classificação toponímica dos arruamentos partiu duma proposta nossa, tal como estivemos na criação dos símbolos heráldicos, na criação da Feira Festa, no movimento pela construção do Centro de Saúde, e como agora acontece pela construção da Escola Secundária.

Na Junta de Freguesia apostámos muito na dignificação do órgão. Dispensámos a ação frentista e fratricida com outros órgãos do poder local, relevámos para segundo plano o papel reivindicativo da autarquia e assumimos compromissos de trabalho e ação, com resultados visíveis a cada dia que passa.

A construção da identidade, através de, entre outros meios, a criação de referências,  constituiu na última década um objetivo para as autarquias e em face disso pode dizer-se hoje que a Quinta do Conde está substancialmente diferente.

Esta transformação, esta metamorfose, este trabalho de incontáveis pessoas e coletivos foi possível porque houve, e há, Poder Local Democrático. Foi possível porque houve Abril, a Revolução dos Cravos, com cujo espírito nos identificamos, com cujos valores estivemos e estamos.

Viva o Poder Local Democrático!

(Intervenção de Vítor Antunes, presidente da Junta de Freguesia da Quinta do Conde, na sessão evocativa dos 40 Anos do Poder Local Democrático)