Movimento Associativo refletiu sobre os caminhos do futuro

Movimento Associativo refletiu sobre os caminhos do futuro

  O Salão João Favinha, da Junta de Freguesia da Quinta do Conde, acolheu a 20 de maio, o II Encontro do Movimento Associativo do Concelho de Sesimbra, com o objetivo de refletir sobre a realidade com que se confrontam diariamente estes agentes de desenvolvimento local.

A reunião, organizada pela referida autarquia, em parceria com a Câmara Municipal de Sesimbra e as demais as demais juntas de freguesia do concelho, contou com a participação de dirigentes das coletividades quintacondenses e de outras localidades, membros dos órgãos sociais da Federação Distrital e da Confederação Portuguesa das Colectividades de Cultura, Recreio e Desporto, com o intuito de analisarem um vasto conjunto de temas com incidência no funcionamento das instituições associativas.

Para Vítor Antunes, presidente da Junta de Freguesia promotora do evento, “as coletividades são um dos pilares em que se tem suportado a autarquia, ante o seu estatuto de parceiros indispensáveis à melhoria das condições de vida da população, razão pela qual este Encontro assume uma relevância especial, devido aos conhecimentos que facultou a todos quantos nele tomaram parte”.

A sustentabilidade do movimento associativo, o seu papel no desenvolvimento comunitário, um olhar sobre o associativismo popular e o relato de experiências associativas, foram alguns dos painéis que concitaram ao longo do dia, a atenção dos participantes no aludido Encontro.

A imperiosa necessidade de adopção de princípios de transparência permanente na actuação de todas as entidades da denominada economia social, na qual se integram as coletividades, constituiu outra das pedras de toque das intervenções produzidas no decurso dos trabalhos.

Na perspetiva dos diferentes oradores, independentemente da natureza de cada uma delas, as agremiações são construções que resultam do desejo de sermos felizes, logo, para além dos aspetos que se prendem com a sua sustentabilidade financeira – que na generalidade dos casos, é essencial à sua continuidade -, devem ser, fundamentalmente, construções coletivas, promotoras da amizade, do convívio, do lazer e da participação cidadã.

Para os participantes, a responsabilidade social do movimento associativo expressa-se ainda na sua capacidade de se assumir como polo de inclusão e prevenção de comportamentos desviantes, logo, sustentam, as coletividades têm de resultar da conjugação dos recursos humanos e financeiros, dos saberes, empenhos e desempenhos de todos, visando uma acção coletiva.

Neste contexto, salientam, o estabelecimento de parcerias que permitam a diversificação das fontes de receita, são instrumentos de grande importância dado tratar-se de uma força heterogénea que se manifesta em diversos domínios, posto fazer-se sentir no plano da dinamização das economias locais e na qualidade da democracia decorrente da participação directa dos cidadãos.

Outro dos aspectos que ao longo do dia concentrou a atenção dos dirigentes associativos, prende-se com a necessidade de promover um combate eficaz ao preconceito com que as colectividades são tratadas por diversos sectores da sociedade portuguesa, na primeira linha dos quais se encontra o Estado, expresso, de resto, no reduzido apoio que lhes confere e no carácter discriminatória da legislação que lhe é aplicável.

De acordo com António Marques, presidente do Centro de Estudos Culturais e de Ação Social Raio de Luz, “é incompreensível que os dirigentes voluntários sejam obrigados não só a colocar fundos pessoais para a concretização de muitos programas, mas, igualmente, chamados a assumir garantias pessoais para a realização de obras que são reconhecidas de interesse e utilidade pública, quer pela administração central, quer pela administração local. Não é razoável que sejam mais responsabilizados do que os gestores públicos. O sonho associativo e a boa vontade dos dirigentes não pode assentar nesta perversão imoral dos princípios.”

Por isso, na óptica dos participantes na mencionada jornada de trabalho, “os dirigentes associativos não devem, nem podem andar de mão estendida, solicitando ao Estado que conceda o seu apoio, àquilo que devia ser o Estado a fazer. “

Acompanhando a abertura do citado encontro Felícia Costa, Vice-presidente da Câmara Municipal de Sesimbra, salientaria que “o movimento associativo é um lugar de liberdade e camaradagem, logo, uma escola de formação cívica”, pelo que a realização do evento, tendente a debater as virtudes e dificuldades das colectividades, é um momento importante da vida colectiva da comunidade.”

No mesmo sentido se expressou no final dos trabalhos, Francisco Jesus, presidente da Junta de Freguesia do Castelo, ao considerar “as colectividades um pilar fundamental do desenvolvimento concelhio, posto tratar-se de agentes que estão no terreno, sendo, por isso, parceiros essenciais na satisfação de necessidades das populações, mas que nem sempre vêm o seu papel devidamente reconhecido.”