Passagem de vida

Passagem de vida

Os rituais definem sociedades e pessoas, fazem parte de uma ação coletiva e pessoal, como também se propõem enquanto objeto de reflexão entre a realidade terrena e espiritual. A partir da interpretação deste conceito como epígrafe desta criação escultórica desenvolve-se uma forma que invoca essas relações que caracterizam os rituais, enquanto veículos da experiencia social coletiva como subjetiva, exaltando o significado simbólico que carregam na humanidade.

A reflexão simbólica entre realidade terrena e espiritual está maioritariamente ligada a uma ideia de passagem, um caminho que serve como charneira entre realidades, mas que também se apresenta como uma barreira que separa essas duas realidades, do medo da realidade, da vida perante o desconhecido, daquilo que não vemos ou não compreendemos, e que tentamos clarificar.

Esta barreira complexa e informe, insuperável na sua compreensão, tem na sua génese a mais subtil e inquietante questão: o mistério da vida, uma das questões mais complexas e profundas da humanidade. Especulada pelo homem enquanto ser subjetivo, na sua interpretação pessoal, pela sociedade numa procura no coletivo, como a união pela crença, por um pensamento que procura encontrar respostas sobre o que está além da matéria e o que é palpável.

O mistério da vida, a passagem da vida, ou vida como mistério, vida como passagem.

Hugo Maciel