Deputada do PCP visitou a Quinta do Conde para recolher elementos sobre saúde e educação

Deputada do PCP visitou a Quinta do Conde para recolher elementos sobre saúde e educação

Paula Santos, deputada do PCP na Assembleia da República eleita pelo círculo eleitoral de Setúbal, visitou a Quinta do Conde com o objectivo de recolher elementos sobre alguns problemas que afectam a população, nomeadamente em matéria de saúde e de educação.

A deslocação, realizada a 5 de Março, no âmbito da sua regular actividade parlamentar e do permanente contacto com os agentes da região que a elegeu, incluiu encontros com várias instituições locais, designadamente a Comissão de Utentes da Saúde, as direcções dos agrupamentos escolares da localidade e associações de pais e encarregados de educação.

De acordo com a parlamentar, o intuito desta jornada de trabalho, visou conhecer o quadro de dificuldades com que os habitantes da localidade se confrontam nos domínios do acesso aos cuidados de saúde primários e em matéria de instalações escolares, em ordem a que possa inquirir o governo acerca estes problemas e contribuir para a sua resolução.

Na sua opinião “as questões da saúde e da educação, não podem ser apenas olhadas numa perspectiva economicista, mas atender às necessidades dos cidadãos, razão pela qual este tipo de contactos são fundamentais para nos documentarmos acerca dos temas que interessam à pessoas e tentarmos intervir em temos parlamentares para os ultrapassar”.

No decurso da reunião efectuada sobre a problemática da saúde, na qual tomaram parte Vítor Antunes, presidente da autarquia quintacondense e Felícia Costa, vice-presidente da Câmara Municipal de Sesimbra, os representantes da estrutura dos utentes traçaram um quadro pormenorizado das carências existentes neste domínio e do esquecimento a que a comunidade está votada.

Para Sebastião Lameiras, porta-voz da referida comissão, “estamos na margem do mais flagrante abandono, posto que dos mais de trinta mil habitantes da freguesia, mais de metade não tem médico de família, situação agravada pela inexistência de assistência médica depois das vinte horas, além de um sem número de outras carências, entre elas a ausência, no posto de saúde, de qualquer tipo de medicamentos para situações de emergência.”

Além disso, refere ainda o dirigente da comissão de utentes ”as instalações do centro de saúde, são manifestamente insuficientes para o número de habitantes da Quinta do Conde, o que constituindo mais um impedimento a que tenham, de facto, direito aos cuidados de saúde primários”.

No que concerne às questões da educação, segundo os testemunhos dos intervenientes, o cenário também é semelhante, devido à ausência de investimento no que concerne à reabilitação do parque escolar da localidade e à premente necessidade de construção de uma escola secundária na freguesia, apesar do Parlamento ter aprovado no início desta legislatura e sem qualquer voto contra, uma recomendação nesse sentido.

De acordo com as intervenções dos diversos agentes educativos que participaram no encontro com a deputada comunista, “o actual quadro decorre da excedentária oferta  de equipamentos escolares noutros concelhos, alguns sem outro motivo que não fosse o de agradar a alguns lóbis”, a qual tem sido utilizada como argumento para justificar a inobservância da aludida recomendação do parlamento.

O protelamento da construção do referido estabelecimento escolar, a que se associa o facto da Quinta do Conde ser uma das freguesias do país que mais crescimento populacional registou nas últimas décadas, concorreu para que a sobrelotação da Escola Michel Giacometti, a qual funciona parcialmente em pavilhões prefabricados, cujo estado de degradação é mais que notório, não oferecendo condições a alunos e docentes.

Na óptica de Vítor Antunes, presidente da autarquia quintacondense, “a falta de acessibilidade aos cuidados de saúde é uma problema que se arrasta há vários anos, o qual só poderá ser alterado com a ampliação dos actual centro de saúde e a colocação de mais médicos, assim como a criação de um serviço de atendimento permanente, em ordem a evitar que quem não tenha transporte próprio só possa adoecer durante o dia, já que se tal acorrer depois das vinte horas terá de ir para Sesimbra ou para Setúbal.”

No que se refere ao parque escolar, o autarca sustenta que “a requalificação dos estabelecimentos da freguesia, não poderá ser impeditiva da concretização da mencionada escola secundária, pois, de outro modo, continuaremos todos os anos a assistir à expulsão de cerca de várias centenas de jovens para estabelecimentos de outros concelhos. Com todos os custos sociais e educativos que isso acarreta.”

Por seu turno, Felícia Costa, vereadora responsável pelo Pelouro da Educação, cultura, saúde e juventude da Câmara Municipal de Sesimbra, defendeu a ampliação do centro de saúde da mais jovem freguesia do concelho, manifestando a disposição da edilidade para se associar à obra, quer através do estabelecimento de um protocolo financeiro, quer, se assim for entendido, pela cedência de um terreno a edificação de nova unidade de saúde na localidade.

De igual modo defende que “a reabilitação do actual parque escolar da freguesia, designadamente das instalações da Michel Giacometti, não impedirá a construção de um novo estabelecimento do secundário, posto estarmos perante de duas coisas distintas: Uma resolver um problema de curto prazo, outra apostar numa medida de longo prazo tendente a soluciona uma situação que tenderá a acentuar-se ante a correta decisão ministerial de redução de número de alunos por turma”.