Secretário-Geral do PCP visitou Quinta do Conde e reuniu com direcção do Centro de Saúde e utentes

Secretário-Geral do PCP visitou Quinta do Conde e reuniu com direcção do Centro de Saúde e utentes

Jerónimo de Sousa, Secretário -Geral do Partido Comunista Português efectuou uma visita à Quinta do Conde com o objectivo de conhecer a realidade local em matéria de saúde e as necessidades com que a população se confronta no domínio do acesso aos cuidados de saúde primários.

A deslocação do dirigente comunista integrou-se no âmbito da preparação de um Encontro Nacional sobre este tema, que o seu partido está a preparar, tendo o programa contemplado uma reunião com os responsáveis do centro de saúde, na qual tomaram parte a Câmara Municipal de Sesimbra e a Junta de freguesia.

De acordo com a delegação do PCP, a realização da referida deslocação visou obter um conhecimento rigoroso dos problemas que afectam a população e as condições de atendimento, tendo em vista a elaboração de propostas concretas tendentes à sua solução.

Neste quadro, a aludida visita incluiu ainda um encontro com a comissão de utentes da saúde da localidade, no decurso do qual foi abordado um vasto conjunto de deficiências que caracterizam o funcionamento da mencionada unidade de saúde e as preocupações com que a comunidade se debate no que concerne à prestação de cuidados médicos.

Segundo Sebastião Lameiras, presidente da estrutura dos utentes da saúde da freguesia, “ 53% da população residente não possui médico de família, situação que coloca a localidade numa situação confrangedora, além de que mesmo aqueles que têm médico de família, estão proibidos de adoecer depois das 20 horas, pois quando tal ocorre são forçados a deslocarem-se a Sesimbra e depois a Setúbal, ou seja, um percurso que somada a ida à volta, representa várias dezenas de quilómetros .”

Por isso, diz ainda o dirigente da comissão de utentes, “quem não tem carro, está condenado a ficar sem apoio clinico ou a recorrer às urgências do Hospital de Setúbal, ou pura e simplesmente a morrer”, razões que afirma serem “mais do que suficientes para justificar a exigência de um novo centro de saúde noutra zona da freguesia e a criação de um serviço de urgência depois daquela hora”.

A par destas carências, a comissão de utentes, destaca ainda o mau funcionamento de material, falta de equipamentos e medicamentos para uso em casos de emergência, assim como a escassez de recursos humanos, nomeadamente, pessoal médico, que permitam suprir as dificuldades em que vive a citada unidade de saúde.

Tomando boa nota do cenário descrito, Jerónimo de Sousa, salientou o papel das comissões de utentes na defesa do Serviço Nacional de Saúde e da necessidade de continuarem a lutar contra as medidas de natureza política tendentes à sua extinção.

Para o líder comunista, “importa que tudo façamos visando a sua preservação, pois,” sublinhou, “ se permitirmos a sua extinção é o povo quem fica a perder, especialmente as classes trabalhadoras, já que estamos num terreno em que a Câmara e a Junta de freguesia não podem resolver, dado tratar-se de uma área que depende exclusivamente do foro governativo.”

De acordo igualmente com o dirigente do PCP “o argumento de que não há dinheiro para reforçar o funcionamento do SNS e os serviços públicos, não colhe, já que há sempre recursos financeiros para o serviço de dívida e para o deficit assim como para acudir a bancos em dificuldades.”

Tal quadro, concluiu Jerónimo de Sousa “mostra que em muitas questões fundamentais, o Partido Socialista não mudou. O que se passa com o SNS e a crónica falta de investimento neste sector é disso um exemplo inequívoco.”