90 anos do nascimento de Michel Giacometti

90 anos do nascimento de Michel Giacometti

A Escola Básica do 2º e 3º ciclo + Secundário Michel Giacometti, assinalou os 90 anos do nascimento do seu patrono com a inauguração de uma peça escultórica tendente a valorizar o legado e o importante contributo deixado à etnomusicologia portuguesa por aquele cidadão francês que escolheu Portugal para desenvolver relevante trabalho de recolha no domínio da música popular.

A obra concebida por Carlos Bajouca, a partir de uma ideia dos próprios alunos do referido estabelecimento de ensino e executada com a sua colaboração, constitui uma forma de sublinhar o trabalho desenvolvido pelo aludido etnólogo musical um pouco por todo o país, ao longo de várias décadas.

Segundo Eduardo Cruz, director da citada escola, ”trata-se de uma maneira de transmitir aos actuais e futuros alunos, o relevante papel que aquele cidadão francês e patrono deste estabelecimento escolar, teve em matéria de preservação de algumas das mais genuínas expressões da música tradicional, sem o qual muitas delas já teriam possivelmente desaparecido”.

Para Vítor Antunes, presidente da Junta de Freguesia da Quinta do Conde, entidade cujo disponibilidade conferida à concretização do mencionado projecto se afigurou determinante, quer pela capacidade de aliciar o escultor para a executar, quer pelo apoio logístico que lhe concedeu à obra, “esta é uma iniciativa que se integra no quadro do projecto de desenvolvimento que a autarquia tem para a Freguesia, o qual assenta na promoção e fruição da cultura nas suas múltiplas vertentes.”

Ademais, sustentou o autarca “a instalação de uma obra de arte junto à porta principal da escola que tem como patrono Michel Giacometti, é modo de salientar o profundo labor por ele desenvolvido em todo o território nacional, visando o conhecimento de algumas das ancestrais raízes da nossa música tradicional”.

Por isso, segundo ainda Vítor Antunes, “como entendemos que um dos veículos de transmissão de cultura é proporcionar aos cidadãos o conhecimento das suas raízes e da sua identidade, esta iniciativa levada a efeito no espaço privilegiado de uma escola,  responde a esse desígnio”, afirmou, ao mesmo tempo que realçava a presença de Clarisse Duval, representante da Embaixada de França em Portugal e responsável na mencionada representação diplomática pelo pelouro da edução.

De acordo com um dos professores envolvidos no referido projecto, a obra configurando um barco/ave, pretende simbolicamente representar, a um tempo, as embarcações tradicionais de Sesimbra e,  a outro, as ondas do mar  em que exercem a faina, espaço de descoberta de extensos horizontes, logo, uma alusão metafórica acervo que Michel Giacometti nos deixou, conferindo-nos, com isso, a possibilidade de possuirmos um melhor entendimento da nossa música, o mesmo é dizer da nossa  cultura.

Além disso, refira-se, a efeméride serviu ainda de pretexto para a inauguração da réplica de uma embarcação tradicional do Tejo, denominada  “canoa sardinheira”, construída por alunos e docentes da citada escola, no quadro de um projecto nascido no âmbito do programa Erasmus.