Quinta do Conde recebeu deputada do PCP

Quinta do Conde recebeu deputada do PCP

No quadro da sua regular actividade parlamentar, Paula Santos, deputada do PCP pelo Distrito de Setúbal, reuniu com a Comissão de Utentes da Saúde da Quinta do Conde e o com o Executivo da Freguesia para analisar a problemática em torno do acesso aos cuidados de saúde primários.

O encontro, ocorrido a 28 de Janeiro, visou ainda coligir elementos tendentes a reforçar um conjunto de questões a colocar ao Governo acerca das dificuldades com que os habitantes da localidade se confrontam no acesso à saúde, decorrentes da exiguidade das actuais instalações do centro de saúde local, da ausência de meios de diagnóstico e da aflitiva falta de médicos.

A deslocação integrada igualmente no âmbito do aprofundamento das iniciativas que aquela força política tem protagonizado, tendentes à defesa do Serviço Nacional de Saúde, acautelando o seu espírito universal e tendencialmente gratuito, assim como a sua manutenção na esfera pública, procurou também colher a opinião dos utentes e da autarquia quanto ao modo de ultrapassar as carências e constrangimentos que ali se registam neste domínio.

De acordo com Sebastião Lameiras, presidente da referida estrutura dos utentes, a gritante falta de médicos que se regista na mais populosa freguesia do Concelho de Sesimbra, constitui um flagelo que leva grande parte da população a “estar permanentemente com o coração nas mãos, posto que dos mais de 30 mil habitantes, 16 mil não possui médico.”

Tal cenário, refere ainda o responsável pela aludida estrutura associativa, “força-os a recorrer ao Hospital de Setúbal, – mesmo em situações de episódios gripais -, sendo que o tempo de espera de atendimento nas urgências desta unidade hospitalar é, por vezes, superior a 8 horas e a morosidade na realização de consulta, em determinadas especialidades, ultrapassa os 300 dias e, noutras os dois anos.”

Para Vítor Antunes, Presidente da autarquia quintacondense, “é com inquietação que observamos o modo como o governo trata os habitantes desta terra em matéria de saúde, mas, também, a forma como tenta incutir nos cidadãos a ideia de que pretende descentralizar competências, as quais não passam de um embuste traduzido na transferência de encargos para o Poder Local em diferentes domínios sem os respectivos recursos financeiros, como, aliás, sucede com o denominado balcão do cidadão, o qual se resume a uma falácia.”

Segundo Vítor Antunes, “as carências salientadas pela comissão de utentes, são exemplificadoras no que se refere ao acesso dos quintacondenses aos cuidados de saúde primários, mas trata-se de um comportamento que se estende a outras áreas, como sejam a construção de uma Escola Secundária na Freguesia, o Lar de Idosos reivindicado pelo Centro Comunitário, ou um novo quartel para as forças de segurança.”

Anotando as preocupações reveladas pelos intervenientes no encontro, Paula Santos, sustentou que “a acessibilidade aos cuidados de saúde não pode estar sujeita a preconceitos assentes na condição financeira de cada um, nem ser compaginável com a criação de bloqueios aos utentes.”

Por esse motivo anunciou, o seu partido entregou na mesa da Assembleia da Republica, um projecto-lei tendente a garantir que o Estado assegure o transporte de doentes não urgentes, evitando, assim, que muitas pessoas faltem a consultas por escassez de meios financeiros.

“A saúde”, afirma a parlamentar, “é um bem universal e tendencialmente gratuito e não pode tornar-se num bem tendencialmente pago, ao contrário do que está constitucionalmente consignado. Logo, urge que os serviços de saúde e as políticas que os enquadram tenham capacidade de obviar às necessidades das pessoas, ao invés de se alicerçarem no conforto da carteira que cada uma possui.”

Por outro lado, na opinião da deputada comunista, “afigura-se indispensável uma efectiva aposta na prevenção, ao invés de centrar apenas a atenção nas questões tratamento, a par de uma real intercomunicação entre as várias estruturas que operam no sector da saúde. Tal será”, a seu ver, “um meio de a médio, longo prazo, optimizar recursos, com a consequente melhoria da saúde dos portugueses”.