Forte de Peniche: Preservar a memória!

Forte de Peniche: Preservar a memória!

A apresentação do livro “Forte de Peniche – Memória, Resistência e Luta” realizada dia 10 por Álvaro Pato, no salão João Favinha, sala nobre da Junta de Freguesia da Quinta do Conde, constitui um momento de reflexão sobre a capacidade de resistência à ditadura e à tirania que oprimiu os portugueses ao longo de quase meio século.

Editado pela União de Resistentes Antifascistas Portugueses, URAP, a obra reúne um significativo conjunto de elementos acerca da luta contra o fascismo e dos que nela tomaram parte activa, pagando, muitos deles, um preço demasiado alto por tal ousadia.

No decurso da sessão iniciada com um apontamento musical pelo pianista Daniel Schvetz no qual tocou alguns temas de autores portugueses ligados à resistência, Álvaro Pato, residente, à época da sua detenção, no Concelho de Sesimbra, relatou as torturas e sevicias de que foi alvo por parte da polícia política durante vários dias e das marcas que psicologicamente essa arrepiante experiência lhe deixou para o resto da vida.

Segundo o ex-preso político, libertado a 27 de Abril de 1974 em resultado da Revolução de Abril, “é imperioso que transmitamos às novas gerações o que foi esse período negro da nossa história e da tirania que caracterizou esse regime, pois, salientou, “a pior das democracias será indubitavelmente melhor que a melhor das ditaduras”.

De acordo ainda com o destacado resistente, “temos o dever de informar os jovens sobre a nossa história recente, posto tratar-se de um património que devem conhecer, em ordem a obstar que alguns tentem passar uma esponja sobre o que foi o período da ditadura e a sua negra realidade social e política, procurando, assim, dar-lhe instrumentos que impeçam o aparecimento de novas ditaduras.”

Na sua qualidade de anfitrião, Vítor Antunes, presidente da autarquia quintacondense, sublinhou a importância da preservação das memórias desse tempo, e do papel histórico que nos cabe visando, sobretudo, ante a onda de populismo que vai surgindo, a qual encoberta por princípios aparentemente democráticos, procura fomentar a fascismo, a xenofobia e o racismo, no fundo, os elementos que suportaram o ditadura ao longo de 48 anos.

Encerrando a referida sessão, a Tuna da Universidade Sénior – “O Sonho Não Tem Idade”, interpretou alguns temas do seu repertório, relembrando, desse modo, que a localidade é afinal um dos produtos da Revolução dos Cravos e que os seus habitantes mantém bem viva a memória de um tempo que se pretende definitivamente sepultado.