Consequências e riscos do novo aeroporto no Montijo

Consequências e riscos do novo aeroporto no Montijo

A Junta de Freguesa da Quinta do Conde de parceria com a “Plataforma Cívica Aeroporto BA6-Montijo Não”, promoveram uma sessão de esclarecimento, tendente a alertar a população para os riscos da instalação do novo aeroporto de Lisboa na Base Aérea do Montijo.

A reunião efectuada a 13 de Setembro, na sede da autarquia, no quadro do processo de discussão pública que decorre até dia 19, resulta da circunstância da localidade se encontrar no corredor de aproximação ao solo das aeronaves e das consequências que daí resultam, designadamente no domínio do ruído e das implicações que o mesmo tem em matéria de saúde.

No decurso do encontro, Vítor Antunes, presidente da referida Junta de Freguesia, considerou que a transformação da Base Aérea nº 6 num aeroporto comercial, é uma medida que a par de não servir os interesses do país, irá prejudicar a qualidade vida dos habitantes da localidade, afectando sobremaneira a sua saúde, devido ao ruído a que ficam permanentemente expostos.

Na opinião do autarca, “a Quinta do Conde e a Baixa da Banheira são duas das localidades densamente povoadas, situadas no aludido espaço canal, que serão sobrevoadas por aeronaves a baixa altitude, situação que nos leva a alertar os moradores da freguesia para a necessidade de expressarem a sua opinião sobre este assunto, junto da entidade responsável por este dossier”.

De resto, referiu ainda Vítor Antunes, “essa foi uma das razões pelas quais entendemos promover esta sessão, pois, cremo que a posição individual de cada um, relativa a este dossier é importante e pode ser manifestada através do endereço www.participa.pt, portal da Agência Portuguesa do Ambiente que recebe os contributos de todos os cidadãos e instituições que queiram pronunciar-se acerca de processos em fase de consulta pública, como é o caso”.

Para o dirigente quintacondense, “esta opção do governo, fundada em interesses económicos pouco claros, não responde às reais necessidades do país, ante a possibilidade de outras alternativas, aliás, tomadas por anteriores governos e não revogadas, mas que o actual executivo ignorou, não obstante os riscos e consequências para as populações serem indiscutivelmente menores.

Ante este quadro, mais uma vez verificamos que em matéria de decisões tendentes a obviar às carências dos quintacondenses, este governo os desprezou, posto que nem sequer concretizou nenhuma das recomendações aprovadas pela Assembleia da Republica, com os votos do partido que o sustenta, entre elas, a construção de uma escola secundária na localidade e de um lar de idosos na Freguesia, entre outras.”

Presente na sessão Sérgio Marcelino, vereador da Câmara Municipal de Sesimbra e titular do pelouro das obras e circulação viária, integrando nessa qualidade o grupo de trabalho criado no âmbito da Área Metropolitana de Lisboa para tomar decisões me matéria de transportes, deu conta de uma clara ausência de soluções de natureza viária, tendentes a responder às necessidades decorrentes da referida infraestrutura aeroportuária.

Neste contexto, salientou o edil “a opção de transformar a Base Aérea do Montijo num aeroporto comercial é uma decisão do 1º ministro, que não teve em conta os interesses do país e das populações afectadas”.

Segundo ainda o responsável camarário, “o estudo ambiental ora feito pela entidade que beneficiará do aludido aeroporto, é uma peça feita à medida desses interesses, não revelando, por isso, a realidade dos impactes que gera, pois no que concerne ao ruído, refere que a maior fonte de ruído são os barcos que navegam no Tejo, como se o barulho dos barcos fosse semelhante ao dos aviões.”

Assim, afirmou, “esta nova infraestrutura não trás nenhum benefício ao Distrito no domínio da mobilidade, a não ser a criação de mais uma portagem, além de que no espaço de uma dúzia de anos, haverá a necessidade de construção de um novo aeroporto e a consequente criação de mais uma fonte de ruído”.

Na perspectiva de José Encarnação, membro da Plataforma Cívica constituída para combater este atentado à qualidade de vida dos cidadãos residente no mencionado espaço canal de aterragens e descolagens, “este processo andou ao contrário, posto que a localização da mencionada infraestrutura no Campo de Tiro de Alcochete afetaria apenas umas centenas de pessoas, ao invés dos muitos milhares previstos nesta opção”.

Traçando o quadro retrospectivo de todo o dossier, o activista, salientou ainda que “a citada base não é um aeroporto, mas um aeródromo militar, pelo que as aeronaves que nele aterram ou dele descolam não têm as dimensões dos aviões comerciais. Mesmo assim, há registos de alguns acidentes com aves. Logo, importa ter em conta o sistema de propulsarão de umas e de outros, pois os motores de uns funcionam a hélices e outros a turbinas de aspiração.”

Por outro lado, referiu “não nos podemos esquecer que os aviões passarão por cima das habitações a altitudes muito baixas, situação que acarreta ainda uma maior periculosidade, posto que o estudo ora em discussão ignora em absoluto as zonas dos sapais de Coina e de Corroios, nas quais nidificam diversas espécies de aves que se deslocam em bandos de milhares de indivíduos”.

Estamos perante uma solução que visa favorecer interesses particulares, no caso, da Lusoponte, detida pela VINCI sendo que o actual presidente desta empresa é um dos proprietários do escritório de advogados que efectuou o contrato de privatização da ANA entre o Estado e a referida empresa, o qual refere que o Estado Português não poderá construir durante um largo período temporal, nenhuma travessia rodoviária do Tejo.”

No final da reunião, que contou com a presença de alguns habitantes de Azeitão, localidade também ela situada no canal de descolagens, os participantes aprovaram um documento apontando um conjunto de falhas mencionado ao estudo ambiental e manifestado a sua discordância com a instalação do aludido aeroporto no Montijo.

Aeroporto BA6