Livro sobre o 25 de Novembro e as Praças da Armada apresentado na Junta

Livro sobre o 25 de Novembro e as Praças da Armada apresentado na Junta

Trazer a público um conjunto de factos e documentos acerca das represálias exercidas sobre as praças da armada na sequência do golpe militar de 25 de Novembro, constitui o objectivo da obra “A Verdade Escondida  25 de Novembro e as Praças da Armada”, trabalho com o qual os seus autores pretendem desmitificar muitas das falácias que se dizem acerca desta data.

O volume apresentado no decurso de uma sessão realizada a 25 de Novembro na sede da Junta de Freguesia da Quinta do Conde, presenciada por um grupo de antigos militares da armada que sofreram as consequências do clima de intimidação e revanchismo registado após o referido golpe militar, serviu ainda de pretexto para esclarecer uma série de acontecimentos que deliberadamente têm sido omitidos da opinião publica.

Da autoria de José Boto, José Brinquete, Fernando Marques e Florindo Paliotes, o aludido livro debruça-se sobre uma série de medidas protagonizadas pelos denominados vencedores da mencionada acção militar de cariz contra-revolucionário e as implicações que as mesmas tiveram na vida pessoal, familiar e profissional de várias centenas de praças da armada.

Na sua qualidade de anfitrião, Vítor Antunes, Presidente da autarquia quintacondense, congratulou-se com a realização da citada sessão na Freguesia e do contributo que a obra dá para um conhecimento mais fiel e rigoroso do que se passou naquele período e nos meses subsequentes, concorrendo, assim para elucidar acerca de um vasto leque de dúvidas que ainda permaneciam na mente de muita gente.

Na opinião do autarca, “esse dia, não foi uma data feliz para a generalidade dos portugueses e até para muitos dos que a protagonizaram, como, aliás, depois se comprovou pelo comportamento de que lhes foi dispensado, com a ostracização a que foram votados pelos verdadeiros mentores da operação, dado ter-se tratado de um golpe de natureza militar apoiado por potencias mundiais, na primeira linha das quais estavam os Estados Unidos. ”

Para Florindo Paliotes, um dos autores do trabalho ora dado à estampa pela editora Colibri, “aquela data constitui um dia negro para as praças da armada e para o processo de consolidação da Revolução ocorrida a 25 de Abril de 1974, em resultado de marcar o regresso à liderança das decisões políticas por parte das forças que se opunham à consolidação do aprofundamento social do país, no qual as praças da armada assumiram uma relevante missão”.

De acordo ainda com Florindo Paliotes, “a publicação deste livro, visa trazer ao conhecimento dos cidadãos, de forma objectiva e suportada em documentos, o ambiente persecutório, traduzido em saneamentos e prisões a que foram sujeitos um significativo número de praças da armada, assim como o conturbado processo de reintegração.”

Neste quadro, refere igualmente este autor da obra, “o presente volume será uma contribuição para um melhor conhecimento da historiografia desse período da nossa vida colectiva e o papel desempenhado pelos algozes que atentaram contra as conquistas sociais operadas no país com a revolução de Abril.”

Presente também na referida sessão, José Brinquete, outro dos autores do mencionado livro, sustentou que “a edição deste trabalho, pretende ser um registo escrito de acontecimentos que escapam à esfera pública, por um lado, e por outro evitar que caiam no esquecimento. O seu intuito é ainda desmistificar muito do que temos ouvido e gravado em letra de forma o que de facto ocorreu e com isso, perpetuando a memória de um tempo negro para a Marinha e para as suas praças.”

Refira-se ainda que a aludida sessão ainda com um apontamento musical, protagonizado pelos alunos da disciplina de Canto da Universidade Sénior – O Sonho Não Tem Idade, que interpretaram alguns temas de José Afonso e do cancioneiro tradicional.