Quinta do Conde assinalou centenário do nascimento de Sophia de Mello Breyner Andresen

Quinta do Conde assinalou centenário do nascimento de Sophia de Mello Breyner Andresen

A instalação de uma peça escultórica no jardim adjacente ao Mercado Municipal; o descerramento da placa toponímica que designa o espaço como “Jardim Sophia de Mello Breyner Andresen; a pintura de uma mural com excertos de poemas da autora de “Menina do Mar”, e um pequeno recital de poesia e harpa assinalaram, na Quinta do Conde, o centenário do nascimento de Sophia de Mello Breyner Andresen.

A iniciativa resultante de um desafio lançado pela Junta de Freguesia à Câmara Municipal de Sesimbra e promovida pelas duas entidades, na manhã de 7 de Dezembro, incluiu ainda a distribuição de poemas da poetisa e um momento dedicado às crianças com uma história da referida autora contada aos mais pequenos.

Iniciada por Vítor de Sousa, que leu alguns dos mais emblemáticos poemas de Sofia de Mello Breyner Andresen, acompanhado pela harpa de Emanuela Nicoli, a evocação da consagrada poetisa, visou colocar o nome e obra literária da escritora na toponímia e na estatuária da localidade, chamando assim a atenção dos quintacondenses para a importância que esta assume no panorama literário nacional.

Helena Cordeiro, presidente da Assembleia de Freguesia da Quinta do Conde, órgão que numa das suas sessões abordou a sugestão tendente à celebração da aludida efeméride, agradeceu a presença de quantos se associaram ao evento, sublinhou que “o espaço escolhido para perpetuar a memória da autora de “Histórias da Terra e do Mar” e os elementos artísticos que a partir de agora o embelezam, constituem o modo de honrarmos a sua memória e a relevância de que goza no contexto da cultura portuguesa”.

De acordo com Hugo Maciel, autor da aludida peça escultórica, o trabalho efectuado “pretende simbolizar o imaginário da vasta obra de Sophia, razão pela qual” explicou,” optei por pegar num dos seus emblemáticos contos, recriando a ideia de uma árvore, com alguns elementos espelhados que reflectem a luminosidade solar, em ordem a que seja algo que se aproprie pelo próprio espaço e por ele se disperse “.

Para Vítor Antunes, presidente da Junta de Freguesia, que relembrou a postura assumida por Sophia em matéria de apoio aos presos políticos no período da ditadura, a luta contra a censura e os inegociáveis valores da liberdade, são aspectos intrínsecos à grandeza da poesia da sua poesia.

Neste contexto, salientou o autarca, “se os portugueses se identificam com os valores que ela defendeu e os reconhecem e evocam, os quintacondenses entenderam materializar fisicamente esses sentimentos, perpetuando o seu nome na toponímia e na estatuária da Freguesia.”

Na sua qualidade de amigo da poetisa, com quem, aliás, privou, Carlos Russo, pároco da Quinta do Conde, sustentou que a autora de “Contos Exemplares”, era uma mulher fascinante e apaixonada pelo mar. “Falar com ela”, referiu, “tornava-se um vício de tal modo forte, que perdíamos a noção do tempo. Logo, congratulo-me com a decisão da Quinta do Conde a homenagear, perpetuando a sua memória, confirmando, deste modo, que continua viva.”

Presente na cerimónia, Francisco Jesus, presidente da Câmara Municipal de Sesimbra, explicou que a citada homenagem e os elementos artísticos que a integram, “são expressões tendentes a manter viva a memória desta figura da nossa literatura, valorizando os traços que devemos preservar, designadamente a liberdade e a valorização da cultura nas suas diferentes vertentes.”

Segundo ainda o edil, “realizar esta homenagem na mais jovem Freguesia do Concelho, nascido depois da Revolução de Abril de 1974, colocando à fruição dos cidadãos um conjunto de elementos simbólicos que enaltecem esses valores, é uma forma de contribuir para reforçar a identidade deste espaço territorial e a importância que a mesma assume no quadro concelhio.”