1.º de Maio – Dia do Trabalhador

1.º de Maio – Dia do Trabalhador

Sabemo-nos em Maio, ainda que as adversidades nos tentem cercear vontades, aprisionar os passos, ou talvez, ocultar a luz do que vivemos numa manhã de sol, com o calor dos abraços inundando avenidas, entregando-se à festa.

Celebrámos assim o rebentar dos diques que acumulavam a repressão e o medo, e deixámos os sonhos extravasar livremente por essas alamedas que se abriam ao sol, revelando-se inteiros, no lugar onde habitam as coisas que nos tocam, as coisas que nos levam a remover montanhas.

Hoje os tempos são outros e as sombras que nos cercam são bem mais invisíveis, mas não menos perigosas, posto que não as vemos, ainda que saibamos que o seu único ofício é semear a morte, atentar contra a vida, pelo que não podemos deixar de estar alerta, facto que nos levou a festejar Abril nas janelas da alma, inundando de vozes as ruas que hoje acolhem apenas o vazio.

Foi uma estranha forma de celebrar a esperança, viver a alegria, do mesmo que se afigura terrivelmente estranha e incompreensível a postura daqueles que a pretexto de um vírus (que a todos apoquenta), lancem mão do arbítrio para ignorar valores e limitar direitos, subvertendo despudoradamente convenções laborais e outros instrumentos essenciais às relações de trabalho.

Ora, não obstante o difícil quadro que caracteriza estes dias e as limitações a que todos estamos sujeitos, há princípios que se sobrelevam à falta de escrúpulos, à ganância e ao desprezo pelos interesses de quem vive da venda da sua força de trabalho.

Logo, nenhum vírus, pode justificar a insensibilidade social e comportamentos agiotas, levados a cabo com o intuito de tirar dividendos do infortúnio alheio. Seja a que pretexto seja.

Assim, é nossa convicção de que, sem embargo do confinamento social a que estamos sujeitos, Maio foi, é e será o momento de reafirmar os princípios que Abril nos legou e das conquistas que, por seu intermédio, lográmos alcançar, não abdicando do direito à alegria da festa e da inabalável convicção de que quem toma nas mãos a bandeira dos sonhos e do afecto, terá sempre nas mãos a fraternidade de Maio.

Por isso em Maio nos encontramos. Em Maio nos sabemos