Quinta do Conde escancara a porta de um miradouro para a Serra da Arrábida

Quinta do Conde escancara a porta de um miradouro para a Serra da Arrábida

Depois do confinamento imposto pela pandemia provocada pelo COVI 19, a Quinta do Conde assinala meio século da existência da localidade, enquanto espaço urbano, 35 anos da criação da Freguesia e 25 da elevação à categoria de Vila, abrindo a porta de um miradouro para a majestosa Serra da Arrábida.

Elemento arquitetónico instalado no alto do Cabeço do Melão, com o objetivo de acrescentar mais uma referência pública às que integram a estatuária da localidade, a obra, da autoria do arquiteto Paulo Campos, constitui uma peça tendente não apenas a valorizar este aglomerado populacional, mas simultaneamente a sublinhar a panorâmica que dali se desfruta.

Inaugurada a 30 de Agosto, a obra segundo o autor, visa tirar partido da vista privilegiada sobre a Serra da Arrábida, razão pela qual assumiu a intenção de marcar o espaço com a criação de um elemento que pudesse enfatizar essa relação, direcionando o olhar nesse sentido.

Neste contexto, refere, “optei por criar um elemento vertical de grandes dimensões, que marca o local como ponto de referência, e ao mesmo tempo serve de eixo para a definição dos pontos cardeais, que são a base didática que se pretendeu incluir neste espaço”. Além disso, adianta, “foi criado um palanque que é a ponta da seta que indica o Sul, e permite uma observação mais elevada, sendo o braço da seta definido pelo elemento vertical em forma de triângulo, onde se situa a porta que serve de fronteira entre os espaços nascente e poente”.

Para Vítor Antunes, Presidente da Junta de Freguesia da Quinta do Conde, “este acto constitui também mais um passo, no sentido da retoma de algumas atividade e da recuperação da vida coletiva na nossa Freguesia.

Passando em revista um amplo conjunto de realizações de âmbito estrutural e social ocorrido neste espaço territorial ao longo desse período de tempo e o desenvolvimento operado em matéria de qualidade de vida de quem habita ou trabalha na localidade, salientou “a ciclópica obra realizada ao longo desses anos pelas autarquias, associações, comunidade educativa e tecido empresarial, facto relevado pelo Geógrafo Jorge Gaspar sempre que se pronuncia acerca dos bons exemplos de reconversão urbanística registados em Portugal. Posições como as do Professor Jorge Gaspar, alicerçadas tecnicamente, emitidas por alguém que sabe bem do que fala, animam-nos e induzem-nos o sentimento de que valeu a pena”.

Por isso, sustentou o autarca quintacondense, “temos trabalhado e continuaremos a fazê-lo, em ordem a fomentar o enraizamento social, a fruição cultural, a promoção da cidadania, para que todos nos apropriemos dos destinos da nossa terra”.

Enquanto Liliana Martins, vogal da mencionada Junta de Freguesia, lia uma mensagem do pároco sobre o aludido acto, Helena Cordeiro, Presidente da Assembleia de Freguesia, relembrou a sua chegada à localidade, “a história coletiva que esta terra escreveu, o desenvolvimento que que logrou alcançar e a identidade que soube construir”.

Assim, sublinhou, “neste local de contemplação, sempre que algum cansaço ou desânimo nos tente fazer desistir, temos um espaço que para além nos recordar os pontos cardeais, nos permite descansar e ver que não estamos sós, instigando-nos a rumar ao futuro, pintando-o com as cores da humanidade”.

Presente na cerimónia, João Narciso, Secretário da Assembleia Municipal de Sesimbra, congratulou-se com a iniciativa, salientando que a mesma se insere na estratégia de criação da identidade local, “aproveitando para o efeito, um recanto que nos coloca ante o lado da Serra que não se vê do mar”.

Encerrando a aludida cerimónia, Francisco Jesus, Presidente da Câmara Municipal de Sesimbra, considerou que a identidade da freguesia também é feita de elementos como o que ora é colocado à fruição dos quintacondenses e do sentimento imaterial das suas gentes.

De acordo com o edil, “tal resulta do contributo de todos quando concorreram para o atual estádio de desenvolvimento da Quinta do Conde e um bom exemplo da intervenção urbanística da A.M.L. efetuada sobretudo pelo Poder Local, ainda que parte dela fosse da responsabilidade do Poder Central”.

Na ótica do responsável camarário, “o sentimento de coesão territorial que se observa no Concelho, tem de ser fortalecido pelas redes viárias e de transportes públicos, no sentido de permitirem uma efetiva coesão e, desse modo, dotar a freguesia e o concelho de mais serviços e de um espaço urbano melhorado, o qual requer a participação de todos.”