Apresentação de pesquisa sobre o folclore da região

A apresentação do trabalho “Um Olhar Sobre as Danças e Cantares de Sesimbra e da Região de Setúbal”, marca regresso à actividade do Grupo Folclórico e Humanitário do Concelho de Sesimbra, suspensa desde Março de 2020, devido à pandemia provocada pelo COVID19.

Dar conta do trabalho de recolha, pesquisa e investigação, levado a efeito por um dos seus elementos ao longo dos últimos tempos, acerca dos traços característicos do folclore do concelho e da região, constituiu o tema de um encontro entre os responsáveis do Grupo Folclórico e Humanitário do Concelho de Sesimbra, os ensaiadores e acordeonistas do grupo e representantes do Conselho Técnico Regional da Federação do Folclore Português.

A reunião efectuada a 21 de Abril nas instalações da Junta de Freguesia da Quinta do Conde, assumiu-se ainda como o pontapé de saída para o regresso aos ensaios do referido agrupamento e o consequente retorno à actividade, caso as circunstâncias não o impeçam.

De acordo com André Antunes, presidente da direcção do aludido agrupamento e autor do citado trabalho, o intuito do encontro visou, a um tempo, expor os conhecimentos adquiridos nesta pesquisa, tendente à preservação do folclore e da etnografia regional, dando a conhecer aos músicos e ensaiadores o contexto histórico de cada uma das danças que executam, colaborando desse modo para o desenvolvimento da sua tarefa, o mesmo é dizer, conferir autenticidade à representação.

Para o jovem dirigente associativo, “o papel do grupo folclórico, é o de assumir a preservação do património da localidade no que se refere a esta forma de expressão popular, salvaguardando a sua identidade e genuinidade. No fundo”, sublinha o investigador, “tratou-se de retomar as recolhas levadas a efeito neste domínio na década de 80 do Século passado, muitas delas infelizmente perdidas.

Socorrendo-se da projecção de imagens de várias manifestações populares religiosas e profanas, como círios, romarias, feiras, festas e arraiais, o autor da referida pesquisa salientou ainda a relevância das conversas mantidas com elementos de antigos ranchos da região ou de pessoas que tomaram parte nas tradicionais festividades deste território e do seu conhecimento sobre o aparecimento de algumas das danças que marcam o panorama e os trajes da etnografia regional.

Na opinião de Luís Dionísio e Cláudio Neves, membros do Conselho Técnico Regional da Federação do Folclore Português, “é importante que cada elemento dos ranchos saibam o que estão a tocar e a dançar e a razão que pela qual é assim e não de outra forma ou ritmo. Tal resulta da necessidade de respeitar a sua génese e as suas tradições musicais, preservando a sua forma original.”

Tomando parte no encontro Vítor Antunes, presidente da Junta de Freguesia da Quinta do Conde e autor de algumas pesquisas de natureza etnográfica na localidade, algumas das quais transcritas na obra “ Quinta do Conde – Origens e Percurso”, lançou um olhar sobre a existência dos diversos ranchos em tempos sediados na freguesia e dos percalços e virtudes que marcaram a vida de cada um e do trabalho que realizaram.

Para o autarca, “actualmente apenas existe um, ainda que enquanto responsável da Freguesia desejasse que houvesse mais. Mas a vida é o que é, e o papel da autarquia não é o de proceder à criação destas instituições, mas sim, de as apoiar, como, de resto, tem feito com as demais colectividades sediadas na sua área geográfica, através da celebração de contratos-programa, para além do frequente apoio logístico que lhes concede.

Neste contexto, é com natural satisfação”, referiu ainda Vítor Antunes, que “verificamos que o Grupo Folclórico e Humanitário do Concelho de Sesimbra está a concretizar a tarefa que contratualizou com a Junta, visando a realização de um trabalho desta natureza, em virtude de reconhecermos o papel relevante do folclore em matéria de socialização dos habitantes da localidade que aqui se radicaram no último quartel do Século passado”.