O 25 de Abril e o Desenvolvimento

A celebração do 47.º Aniversário da Revolução de Abril sugere-nos homenagear o Movimento da Forças Armadas que a corporizou, mas também as forças políticas que criaram as condições para o sucesso da Revolução.

Sucesso da Revolução que se pode medir pela concretização praticamente imediata de dois dos seus três grandes objectivos, popularmente conhecidos por 3D. D de Democracia, D de Descolonização e D de Desenvolvimento.

Relativamente ao terceiro D – Desenvolvimento – o gritante atraso decorrente do isolamento internacional, que a todos os níveis se observava fez-nos saltar barreiras e aproximarmo-nos dos países desenvolvidos.

Recordo a génese da Quinta do Conde e recordo que a ditadura, o dito Estado Novo, nunca se preocupou com políticas de habitação e nos últimos anos a situação tornou-se mesmo insustentável.

A solução estava nas mãos de um ou outro especulador, que se aproveitava da situação, sendo o território da atual Freguesia da Quinta do Conde, a começar pelo Casal do Sapo uma consequência dessa não resposta à crise habitacional.

Quinta do Conde que, com a Revolução de Abril e com a instituição do Poder Local Democrático viu criadas as condições para se tornar numa localidade com condições aceitáveis de vida, fruto do empenho dos seus residentes e, sublinho, do Poder Local.

E falar do Poder Local é falar da ciclópica obra realizada nas últimas duas décadas no sector da educação e ensino, incluindo a construção dos respectivos equipamentos. Necessitamos, é certo, do auditório, da biblioteca e do pavilhão multiusos. Mas, sabendo como sabemos o ponto de situação relativamente a cada um deles, que no caso do auditório e da biblioteca até já podiam estar a ser executados não fosse a burocracia, direi que estou descansado.

Não direi o mesmo do Poder Central que aqui sempre negligenciou as suas responsabilidades. Basta recordar as lutas antigas pela publicação do Plano de Urbanização e por equipamentos a que muito justamente tínhamos direito.

Continuando a pensar no terceiro D – Desenvolvimento – temos, nos tempos atuais, avultadas razões de queixa:

A exigência da construção da Escola Secundária na Quinta do Conde foi objecto de duas petições à Assembleia da República, ambas discutidas no seu plenário, e a segunda, em 2016, tinha projectos de resolução associados que, votados, foram aprovados sem qualquer voto contra e até com o voto favorável do PS. Recomendaram ao Governo a construção da Escola. No terreno vemos… nada!

Ainda em matéria de educação da responsabilidade do Poder Central, a requalificação da Escola Michel Giacometti é reconhecidamente necessária, pois temos pavilhões muito degradados ao nível do pior no “terceiro-mundo”, mas de desculpa em desculpa o governo vai empurrando sem resolver.

A construção da nova Unidade de Saúde da Quinta do Conde é um projecto adiado de dia para dia, ano após ano. Existe até uma candidatura a fundos comunitários, no valor superior a um milhão de euros e financiada a 50%, já aprovada, sendo que, pasme-se, até se corre o risco de não se aproveitar estes fundos.

A construção do Lar de Idosos do Centro Comunitário também se arrasta há longos anos. Também foi objecto de resolução aprovada na Assembleia da República a recomendar ao governo a construção. E este o que faz? Cria programas de disputa entre instituições, para a seguir lamentar junto das excluídas o azar destas.

A construção do Quartel para a GNR parecia bem encaminhada há dois anos atrás, todavia, de diligência em diligência, vamos andando, esperando e desesperando.

O CAO-Centro de Atividades Ocupacionais e Lar Residencial da Cercizimbra no Pinhal do General, visa responder às necessidades de crianças, jovens e adultos portadores de deficiência. Com o apoio municipal garantido e a expectativa de apoio do Instituto da Segurança Social a Cercizimbra avançou para a construção da obra que teve de suspender, há mais de dez anos, porque desde então o Governo ainda não concretizou esse compromisso.

A Rotunda em Negreiros, com ligação à rede de auto-estradas é uma reivindicação antiga. Constituiu o principal assunto da reunião da Junta de Freguesia com a Infraestruturas de Portugal no início do presente mandato autárquico. Infelizmente, a construção desta necessária infra-estrutura rodoviária também não foi sequer inscrita no Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), o tal que remete para os fundos da dita “bazuca”.

Não se esgota nesta lista de obras a política de adiar, de ignorar de não concretizar compromissos. Recordo a minha posse, em 2009, como presidente da Junta de Freguesia. Os dois primeiros ofícios que assinei foram, um para o Ministério da Educação, a propósito da Escola Secundária e o outro para o Ministério da Saúde, pela construção do Centro de Saúde.

É confrangedora a postura do Governo, aliás dos sucessivos governos, mas particularmente do atual, que governa há seis anos e neste período não há um tijolo que seja em obra pública na Quinta do Conde.

Não é assim que se concretiza o Desenvolvimento, o terceiro D de Abril.

A Quinta do Conde deve ter, imperativamente, uma posição muito mais crítica e muito mais exigente, relativamente ao governo.

Na comemoração do 47.º aniversário da Revolução de Abril, não podemos deixar passar em branco estas constatações, factos que qualquer quintacondense observa e reprova.

Reafirmamos a nossa determinação e a nossa disponibilidade para este combate na defesa dos superiores interesses da Quinta do Conde.

Viva o 25 de Abril!
Viva a freguesia da Quinta do Conde!
Viva o município de Sesimbra!